Category Archives: Poetas

Poeta a poeta

Renato Costa – “Mel…”

Mel…mulher, em ti… na doce palavra que te veste… moram todos os méis, todos puros… todos silvestres… mel de sabores… que nunca se esquecem… bebido em noites.. que não amanhecem… by

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Otília Martel – “Natureza”

Ó espírito de inquietos e cândidos sonhos que buscas na intemperança e volúpia do desejo o calor da alma pressentida no júbilo da razão. Deitas-te na terra húmida entre musgo verde e adormeces na tempestade que o céu serenou. Na … Continue reading

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Lou Alma – “Vem”

Vem construir felicidades no segredo dos entendimentos Vem com tuas mãos tocar a música que só tu consegues retirar do meu corpo. Vem trocar as voltas ao vento, calar as ondas do mar! Finge-te Deus dum destino que só a … Continue reading

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Paulo Eduardo Campos – “Caminhamos…”

caminhamos procurando o peso das palavras os pássaros que adormecem sobre a areia os amantes que cercam o tempo com as suas bocas devolvendo a estreita luz que há na manhã. não se recupera no final de cada dia a … Continue reading

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Eugénio de Andrade – “Criança…”

No fim do verão as crianças voltam,  correm no molhe, correm no vento.  Tive medo que não voltassem.  Porque as crianças às vezes não  regressam. Não se sabe porquê  mas também elas  morrem.  Elas, frutos solares:  laranjas romãs  dióspiros. Sumarentas  … Continue reading

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Carlos Conde – “Conceito”

Quando eles não valem nada
 Não se ganha em discutir 
Não é bom servir de escada
 Para qualquer asno subir Há gente que só diz mal 
Para se impor, para ser notada 
Quem discute menos vale 
Quando eles não valem … Continue reading

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António MR Martins – “Paradigmas de uma folha de papel em branco”

Deixei-te uma folha de papel viva repartida por entre pedaços de mim, com a nossa maior palavra cativa e um suave cheirinho a jasmim.   Folha num sobrescrito inserida, restando-se dobrada em três partes, ficou outra palavra esquecida!… Amor novo … Continue reading

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Margarida Piloto Garcia – “Encontro”

Se puderes dobra essa esquina e abre os olhos para me espreitares por dentro Em qualquer pedaço de gesto, demora-te. No intervalo da minha ausência muda o tempo do verbo, mas não o próprio verbo Desagua o verso sem pressa … Continue reading

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Herberto Hélder – “Sobre um poema” (Terceira versão)

Um poema cresce inseguramente na confusão da carne, sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto, talvez como sangue ou sombra de sangue pelos canais do ser. Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência ou os bagos de uva … Continue reading

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Manuel Bandeira – “Poética”

Estou farto do lirismo comedido
 Do lirismo bem comportado
 Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
 protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.
 Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário 
o cunho vernáculo … Continue reading

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Bertolt Brecht – “Canção da Inocência Perdida”

O que a minha mãe dizia Não pode ser bem verdade: Que uma vez emporcalhada Nunca passa a sujidade.        Se isto não vale pra a roupa        Também não vale pra mim.        Que o rio lhe passe por … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “O ar do lisboeta”

O AR DO LISBOETA (Lista a encurtar ou a acres- centar pelo leitor) o ar milonga do lisboeta o ar mastronço do lisboeta o ar activo do lisboeta o ar coitado filha do lisboeta o ar cabotino do lisboeta o … Continue reading

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Teresa Gonçalves – “Montanha da Noite.”

Perfumei os lençóis de insónia e acendi lâmpadas de silêncio na montanha da noite tentei remir o pensamento torná-lo vadio sem submissa liberdade para voar sem destino no tempo e no espaço mas… ele ficou a pairar por entre nuvens … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “A Perna no Eucalipto”

Por entre as folhas, luzia a biqueira do sapato como se fosse o sapato de alguém que, da varanda, estivesse a ver passar cabeças militares. Mas os capacetes tinham lá dentro cabeças de bombeiros e estes trepavam, lestos, pela escada … Continue reading

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Manuela Barroso – “Ante o silêncio”

No silêncio onde mergulhas a flor do pensamento verás que nas pétalas da gente o vento não tem a força nem o canto dele vence a eterna dança do Amor No homem como na flor continua a valsa do vento … Continue reading

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Maria da Graça Varella Cid – “Insisto…”

Insisto em confirmar serenamente que Não deves incluir-me já no teu percurso, Nem na redonda noite imensa aberta ao meio, Nos bancos de coral onde o teu sangue nasce, Nem nos flancos de sal ou no interior dos músculos. Insisto … Continue reading

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Leonard Cohen – “Velho demais”

Estou velho demais 
Para decorar os nomes 
Dos novos assassinos.
 Este aqui
 Parece cansado e atraente
 Devotado, profissional.
 Ele parece-se muito comigo, 
No tempo em que ensinava 
Uma forma radical de Budismo, 
Para os insanos sem salvação. 
Em nome da … Continue reading

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Natália Correia – “O deputado Morgado”

O acto sexual é para ter filhos» – disse na Assembleia da República, no dia 3 de Abril de 1982, o então deputado do CDS, João Morgado, num debate sobre a legalização do aborto. A resposta de Natália Correia – … Continue reading

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João Penha – “A Carne”

Carne mimosa, carne cor de rosa Nada mais sois, oh anjos, na poesia Dos vates dissolutos de hoje em dia, Nos romances de amor, hedionda prosa. A vossa alma gentil, ideal, mimosa, Nestas idades de descrença ímpia, Como escondida, numa … Continue reading

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José Henrique Azevedo – “Diário de Viagem”

Vivem em nove belas Ilhas no meio do Oceano Atlântico. Dizem ser o centro do Mundo, os últimos picos da Atlântida — O Continente perdido, a terra de Neptuno. Falam de forma diferente. Cozinham a comida em buracos na terra, … Continue reading

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