Category Archives: Pablo Neruda

Pablo Neruda (Parral, 12 de Julho de 1904 — Santiago, 23 de Setembro de 1973) foi um poeta chileno, bem como um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX e cônsul do Chile na Espanha (1934 — 1938) e no México.

Pablo Neruda – “Corpo de Mulher” (Sem música)

Corpo de mulher, brancas colinas, coxas brancas,
 assemelhas-te ao mundo no teu jeito de entrega.
 O meu corpo de lavrador selvagem escava em ti 
e faz saltar o filho do mais fundo da terra. Fui só como um túnel. De … Continue reading

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Pablo Neruda – “Gato”

Que bonito é um gato que dorme, dormir com as pernas e peso, dorme com suas unhas cruéis e seu sangue sanguinário, dorme com todos os anéis que como círculos queimados constroem uma geologia de uma cola cor de areia. … Continue reading

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Pablo Neruda – “Tira-me o pão…”

Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso. Não me tires a rosa, a flor de espiga que desfias, a água que de súbito jorra na tua alegria, a repentina onda de prata … Continue reading

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Pablo Neruda – “Terebintina”

Ébrio de terebintina e longos beijos, estival, o veleiro das rosas eu dirijo, dobrado para a morte do finíssimo dia, cimentado no sólido frenesi marinho. Pálido e amarrado à minha água devorante passo no azedo cheiro do clima descoberto, vestido … Continue reading

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Pablo Neruda – “Recordo-te como eras”

Recordo-te como eras no outono passado. Eras a boina cinzenta e o coração em calma. Nos teus olhos lutavam as chamas do crepúsculo. E as folhas caíam na água da tua alma. Fincada nos meus braços como uma trepadeira, as … Continue reading

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Pablo Neruda – “Para o meu coração”

Para o meu coração basta o teu peito, para a tua liberdade as minhas asas. Da minha boca chegará até ao céu o que dormia sobre a sua alma. És em ti a ilusão de cada dia. Como o orvalho … Continue reading

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Pablo Neruda – “Eu fui marcando…”

Eu fui marcando com cruzes de fogo o atlas branco do teu corpo. A boca era uma aranha que corria a esconder-se. Em ti, atrás de ti, temerosa, sedenta. Histórias para contar-te à beira do crepúsculo boneca triste e meiga, … Continue reading

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Pablo Neruda – “Inclinado nas tardes”

Inclinado nas tardes lanço as minhas tristes redes aos teus olhos oceânicos. Ali se estira e arde na mais alta fogueira a minha solidão que esbraceja como um náufrago. Faço rubros sinais sobre os teus olhos ausentes que ondeiam como … Continue reading

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Pablo Neruda – “Quase fora do céu”

Quase fora do céu fundeia entre dois montes uma metade da lua. Girante, errante noite, a cavadora de olhos. Quantas estrelas haverá estilhaçadas no charco. Faz uma cruz de luto entre os meus olhos, foge. Frágua de metais azuis, noites … Continue reading

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Pablo Neruda – “Também este crepúsculo”

Também este crepúsculo nós perdemos. Ninguém nos viu hoje à tarde de mãos dadas enquanto a noite azul caía sobre o mundo. Olhei da minha janela a festa do poente nas encostas ao longe. Às vezes como uma moeda acendia-se … Continue reading

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Pablo Neruda – “Brincas todos os dias”

Brincas todos os dias com a luz do universo. 
 Subtil visitadora, chegas na flor e na água. 
És mais do que a pequena cabeça branca que aperto 
 como um cacho entre as mãos todos os dias. Com ninguém … Continue reading

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Pablo Neruda – “Abelha branca”

Abelha branca zumbes, ébria de mel, na minha alma e enrolas-te em lentas espirais de fumo. Eu sou o desesperado, a palavra sem ecos, aquele que perdeu tudo, e teve um dia tudo. Última amarra, range em ti a minha … Continue reading

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Pablo Neruda – “Ode ao vinho”

Vinho cor do dia vinho cor da noite vinho com pés púrpura o sangue de topázio vinho, estrelado filho da terra vino, liso como uma espada de ouro, suave como um desordenado veludo vinho encaracolado e suspenso, amoroso, marinho nunca … Continue reading

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Pablo Neruda – “Corpo de mulher”

Corpo de mulher, brancas colinas, coxas brancas, assemelhas-te ao mundo no teu jeito de entrega. O meu corpo de lavrador selvagem escava em ti e faz saltar o filho do mais fundo da terra. Fui só como um túnel. De … Continue reading

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Pablo Neruda – “Na sua chama mortal…”

Na sua chama mortal te envolve a luz. Absorta, pálida dolente, assim postada contra as velhas hélices do crepúsculo que em torno de ti dá voltas. Muda, minha amiga, sozinha na solidão desta hora de mortes e cheia das vidas … Continue reading

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Pablo Neruda – “Ah, vastidão de pinheiros…”

Ah vastidão de pinheiros, rumor de ondas quebrando, lento jogos de luzes, sino tão solitário, crepúsculo caindo nos teus olhos, boneca, búzio terrestre, em ti a terra canta! Em ti os rios cantam e a alma foge-me neles como tu … Continue reading

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Pablo Neruda – “É a manhã cheia…”

É a manhã cheia de tempestade no coração do verão. Como lenços brancos de adeus viajam as nuvens que o vento sacode com viageiras mãos. Inumerável coração do vento pulsando sobre o nosso silêncio apaixonado. Zumbindo entre as árvores, orquestral … Continue reading

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Pablo Neruda – “Para que tu me ouças…”

Para que tu me ouças as minhas palavras adelgaçam-se por vezes como o rasto das gaivotas sobre as praias. Colar, guizo ébrio para as tuas mãos suaves como as uvas. E vejo-as tão longe, as minhas palavras. Mais que minhas … Continue reading

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