Category Archives: Fernando Pessoa

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.
É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões.

Fernando Pessoa – “…de não cumprir um dever”

Ah a frescura na face de não cumprir um dever! Faltar é positivamente estar no campo! Que refugio o não se poder ter confiança em nós! Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros. Faltei a todos, com uma … Continue reading

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Fernando Pessoa – “Dá surpresa de ser”

Dá a surpresa de ser. É alta, de um louro escuro. Faz bem só pensar em ver Seu corpo meio maduro. Seus seios altos parecem (Se ela estivesse deitada) Dois montinhos que amanhecem Sem ter que haver madrugada. E a … Continue reading

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Fernando Pessoa – “A Tabacaria” (versão do CD “Os 10+”)

Esta declamação faz parte do CD “Os 10+” que editei e que com outros 9 constitui, segundo uma revista literária Brasileira,os dez poemas mais importantes da língua Portuguesa. Não sou nada. 
Nunca serei nada.
 Não posso querer ser nada.
 À … Continue reading

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Fernando Pessoa – “Presságio”

O amor, quando se revela,
 Não se sabe revelar. 
Sabe bem olhar pra ela,
 Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que sente 
Não sabe o que há-de dizer. 
Fala: parece que mente…
 Cala: parece esquecer… Ah, mas … Continue reading

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Fernando Pessoa – “Súbita mão…”

Súbita mão de algum fantasma oculto Entre as dobras da noite e do meu sono Sacode-me e eu acordo, e no abandono Da noite não enxergo gesto ou vulto. Mas um terror antigo, que insepulto Trago no coração, como de … Continue reading

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Fernando Pessoa – “Terrível bebé” – carta a Ofélia.

Terrível Bebé: Gosto das suas cartas, que são meiguinhas, e também gosto de si, que é meiguinha também. E é bombom, e é vespa, e é mel, que é das abelhas e não das vespas, e tudo está certo, e … Continue reading

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Fernando Pessoa – “Deixa-me…” (Sem música)

Deixa-me ouvir o que não ouço…
 Não é a brisa ou o arvoredo;
 É outra coisa intercalada…
 É qualquer coisa que não posso 
Ouvir senão em segredo, 
E que talvez não seja nada… Deixa-me ouvir… Não fales alto!
Um momento… Depois … Continue reading

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Fernando Pessoa – “Cartas a Ofélia” e “Cartas de amor”

Meu Bebé pequeno e rabino: Cá estou em casa, sozinho, salvo o intelectual que está pondo o papel nas paredes (pudera! havia de ser no tecto ou no chão!); e esse não conta. E, conforme prometi, vou escrever ao meu … Continue reading

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Fernando Pessoa/Álvaro de Campos – “A Tabacaria”

Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é … Continue reading

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Fernando Pessoa – “A morte é a curva…”

A morte é a curva da estrada, Morrer é só não ser visto. Se escuto, eu te oiço a passada Existir como eu existo. A terra é feita de céu. A mentira não tem ninho. Nunca ninguém se perdeu. Tudo … Continue reading

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Fernando Pessoa – “Mar Português”

Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! 
Valeu a pena? Tudo vale a pena … Continue reading

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Fernando Pessoa – “Não venhas…”

Não venhas sentar-te à minha frente, nem a meu lado; 
Não venhas falar, nem sorrir. 
Estou cansado de tudo, estou cansado, 
Quero só dormir. Dormir até acordado, sonhando 
Ou até sem sonhar, 
Mas envolto num vago abandono brando 
A não … Continue reading

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Fernando Pessoa – “Ilumina-se a Igreja por Dentro da Chuva”

Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia, E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça… Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso, E as vidraças da igreja vistas de … Continue reading

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Fernando Pessoa – “Acordo de noite subitamente”

Acordo de noite subitamente.
 E o meu relógio ocupa a noite toda. 
Não sinto a Natureza lá fora, 
O meu quarto é uma coisa escura com paredes vagamente brancas.
 Lá fora há um sossego como se nada existisse.
 Só o … Continue reading

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Fernando Pessoa – “Vão breves…”

Vão breves passando Os dias que tenho. Depois de passarem Já não os apanho. De aqui a tão pouco A vida acabou. Vou ser um cadáver Por quem se rezou. E entre hoje e esse dia Farei o que fiz: … Continue reading

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Fernando Pessoa – “Poeta fingidor”

O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só … Continue reading

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Fernando Pessoa – “Não digas nada”

Não digas nada! Não, nem a verdade! Há tanta suavidade Em nada se dizer E tudo se entender Tudo metade De sentir e de ver… Não digas nada! Deixa esquecer. Talvez que amanhã Em outra paisagem Digas que foi vâ … Continue reading

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Fernando Pessoa – “Un soir à Lima”

Vem a voz da radiofonia e dá 
A notícia num arrastamento vão:
 «A seguir 
Un soir à Lima»… Cesso de sorrir…
 Pára-me o coração…
 E, de repente, 
 Essa querida e maldita melodia 
 Rompe do aparelho inconsciente. 
 Numa … Continue reading

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Fernando Pessoa – “O menino de sua mãe”

No plaino abandonado Que a morna brisa aquece, De balas trespassado Duas de lado a lado Jaz morto, e arrefece. Raia-lhe a farda o sangue. De braços estendidos Alvo, louro, exangue, Fita com olhar langue e cego os céus perdidos. … Continue reading

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Fernando Pessoa – “Mostrengo”

O mostrengo que está no fim do mar Na noite de breu ergueu-se a voar; A roda da nau voou três vezes, Voou três vezes a chiar,  E disse: «Quem é que ousou entrar Nas minhas cavernas que não desvendo, … Continue reading

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