Category Archives: Alexandre O’Neill

Alexandre Manuel Vahía de Castro O’Neill (Lisboa, 19 de Dezembro de 1924 – Lisboa, 21 de Agosto de 1986), ou simplesmente Alexandre O’Neill, descendente de irlandeses, foi um importante poeta do movimento surrealista.

Alexandre O’Neill – “O ar do lisboeta”

O AR DO LISBOETA (Lista a encurtar ou a acres- centar pelo leitor) o ar milonga do lisboeta o ar mastronço do lisboeta o ar activo do lisboeta o ar coitado filha do lisboeta o ar cabotino do lisboeta o … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “A Perna no Eucalipto”

Por entre as folhas, luzia a biqueira do sapato como se fosse o sapato de alguém que, da varanda, estivesse a ver passar cabeças militares. Mas os capacetes tinham lá dentro cabeças de bombeiros e estes trepavam, lestos, pela escada … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “Portugal”

Ó Portugal, se fosses só três sílabas, linda vista para o mar, Minho verde, Algarve de cal, jerico rapando o espinhaço da terra, surdo e miudinho, moinho a braços com um vento testarudo, mas embolado e, afinal, amigo, se fosses … Continue reading

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Alexandre O’neill – “Cão” (sem música)

Cão passageiro, cão estrito, cão rasteiro cor de luva amarela, apara-lápis, fraldiqueiro, cão liquefeito, cão estafado, cão de gravata pendente, cão de orelhas engomadas, de remexido rabo ausente, cão ululante, cão coruscante, cão magro, tétrico, maldito, a desfazer-se num ganido, … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “Um Adeus Português” (sem música)

Nos teus olhos altamente perigosos
 vigora agora o mais rigoroso amor
 a luz dos ombros puros e a sombra
 de uma angústia já purificada Não tu não podias ficar presa comigo
 à roda em que apodreço
 apodrecemos
 a esta pata … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “Velha fábula…”

Minuciosa formiga não tem que se lhe diga: leva a sua palhinha asinha, asinha. Assim devera eu ser e não esta cigarra que se põe a cantar e me deita a perder. Assim devera eu ser: de patinhas no chão, … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “O cheiro a cera e a incenso”

O cheiro a cera e a incenso sobe da infância e é recordado 
pelo olfacto da memória. Há certos cheiros que persistem 
vida fora. O cheiro da relva recém-cortada frente à casa, o 
cheiro-maçã de esperma nos lençóis, o cheiro … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “Dai-nos, meu Deus…”

Dai-nos, meu Deus, um pequeno absurdo quotidiano que seja. Dai-nos, meu Deus, um pequeno absurdo quotidiano que seja, que o absurdo, mesmo em curtas doses, defende da melancolia e nós somos tão propensos a ela! Se é verdade o aforismo … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “Daqui”

Daqui, desta Lisboa compassiva, Nápoles por suíços habitada, onde a tristeza vil e apagada se disfarça de gente mais activa; daqui, deste pregão de voz antiga, deste traquejo feroz de motoreta ou do outro de gente mais selecta que roda … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “Fala”

Fala a sério e fala no gozo Fá la pela calada e fala claro Fala deveras saboroso Fala barato e fala caro Fala ao ouvido fala ao coração Falinhas mansas ou palavrão Fala à miúda mas fá la bem Fala … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “Duas moscas ou a mesma?”

1   – Onde já vi esta mosca? – Mas em toda a parte, filha, desde o bolo de noivado à minha tépida v’rilha!   2   Eis a mosca popular aferroada aos miúdos, avioneta escolar para fugir aos estudos! … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “Fados literários”

As fatrasias, versos anfigúricos (ou sem sentido) de fábrica popular (dói-me a barriga nas costas, / o coração nas orelhas; / não posso cantar dum braço / por causa das sobrancelhas), encontram correspondentes eruditos, entre outros, nos chamados fados «literários», … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “Sigamos o cherne”

(Depois de ver o filme “O Mundo do Silêncio”, de Jacques-Yves Cousteau)   Sigamos o cherne, minha Amiga! Desçamos ao fundo do desejo Atrás de muito mais que a fantasia E aceitemos, até, do cherne um beijo, Senão já com … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “Um adeus português”

Nos teus olhos altamente perigosos vigora agora o mais rigoroso amor a luz de ombros puros e a sombra de uma angústia já purificada Não tu não podias ficar presa comigo à roda em que apodreço apodrecemos a esta pata … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “Há palavras que nos beijam”

Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca. Palavras nuas que beijas Quando a noite perde o rosto; Palavras que se recusam Aos muros do teu desgosto. De … Continue reading

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Alexandre O’Neill – “Sei os teus seios”

Sei os teus seios. Sei-os de cor. Para a frente, para cima, Despontam, alegres, os teus seios. Vitoriosos já, Mas não ainda triunfais. Quem comparou os seios que são teus (Banal imagem) a colinas! Com donaire avançam os teus seios, … Continue reading

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