Luís Pinto sobre “Primeira HORA”

21.03.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Foi um entretém magnifico ter muitos poetas a acompanharem um trabalho meu, de prosa.
A certo momento deparou-se-me a dúvida, mais do que natural, sobre o autor que escutava.
E aqui está a critica; Falta o nome do poeta antes do poema.
É impossível decorar a sequência dos autores por ti descrita, a não ser que nada se faça para além de os ouvir enquanto se mira o ecrã com o fito de não se perder o nome que se escuta.
À “Suíte de Poemas” (titulo que também pode ser usado porque não há poesia sem música e música sem poema) falta-lhe, por isso, os nomes dos autores do “medley”.
Aplica-lhe o “medley” no próximo programa.
Acredita que faz falta.
De resto, enfim, e como é hábito, nada a dizer; voz bem colocada, cada poema com o seu ritmo próprio, o Luís Gaspar no seu melhor.
Quanto à música; eu sei (vá se lá saber porquê) que gostas muito de piano. Mas não se arranja outro instrumento, de vez em quando, para variar?
Abraço.
Luís Pinto

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Primeira HORA

20.03.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Durante esta hora (um pouco mais) poderão ouvir poesia dos seguintes autores, indicados por ordem de apresentação:
Alberto Caeiro, Al Berto, Álvaro Magalhães, Carlos Drummond de Andrade, Chico Buarque, Guerra Junqueiro, Herberto Helder, José Jorge Letria, José Régio, Judith Teixeira, Luís de Camões, Mário de Sá Carneiro, Miguel Torga, Otília Martel, Paulo Afonso, Ruy Belo, Ruy Cinatti, Augusto Gil (poema, por lapso, repetido), Berthold Brecht, Camilo Pessanha, Rei D. Diniz, Dâmaso Afonso e Eugénio de Andrade.
A escolha destes poetas e dos poemas não obedece a qualquer critério. A sua escolha é totalmente aleatória.
Futuras “Horas” poderão seguir o mesmo critério ou outro.
Deixe o seu comentário ou sugestões sobre esta nova categoria do Estúdio Raposa. Encontra do lado direito desta página o link para enviar a sua opinião.

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Otília Martel e as Horas de Poesia

19.03.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

“Ora até que enfim”, exclamei no meu entusiástico tom de quem adora ouvir poesia sem interrupções, a não ser, claro, pelo som das melodiosas músicas que a elas estão associadas.

Parabéns pela ideia e, ainda mais, pela oportunidade que me dará de lhe “roubar” os linkes para postar as poesias de que gosto nos meus blogues.
Aguardo, ansiosa por ouvir e saber qual será a primeira escolha.
Deixo um abraço com o desejo que tenha um excelente trabalho.
Menina Marota (Otília Martel)
 (por ora, fora de “serviço” por motivos técnicos, mas que, brevemente, penso solucionar)
 

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Olá, caro visitante!

19.03.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Ah, clicou no Horas de Poesia! Para já, para já, o meu obrigado. Passo a explicar o que vem a ser isto de “Horas de Poesia”:
Alguns ouvinte referiram-me o incómodo que sentem quando querem ouvir poesia enquanto trabalham, ou sonham, ou descansam, ou…
Têm de clicar para mudar de programa para programa, têm de ouvir biografias e mais biografias, que já conhecem, têm de ouvir os meus pobres comentários, etc., quando queriam, apenas, ouvir poesia. Ora bem, respondendo a esses raparos, aqui temos o “Horas de Poesia”.
Agora, nesta categoria, não tem mais do clicar na Primeira Hora, na Segunda Hora e por aí fora, à medida que forem disponibilizadas. Um clique por hora não faz mal a ninguém, sobretudo quando, cada clique, dá direito a uma hora de poesia! Uma espécie de “Rádio Poesia”.
Espero ter disponível, rapidamente, a primeira Hora.

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História 86 – “Três histórias”

11.03.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Hoje, não vamos ouvir uma história, nem duas mas, sim…três! É assim que falam os vendedores das feiras anunciando os seus produtos. Mas aqui falamos de histórias, e hoje, excepcionalmente, vamos escutar três histórias que se intitulam “A origem do nome de Loulé”, “João Ganchinho” e “A raposa e o galo”.
Se queres ler a história enquanto a ouves, clica AQUI.

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História 85 – Intriga

05.03.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Hoje uma história curtinha intitulada “Intriga”, recolhida por Xavier Ataíde de Oliveira.
Se queres ler o texto da história enquanto a ouves, clica AQUI

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Palavras 138 – Miguel Torga

05.03.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Uma das mais populares obras de Miguel Torga no Palavras de Ouro de hoje: “Bichos”.
Se deseja ler o texto do programa enquanto o ouve, clique AQUI

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História 84 – “As três nuvens”

26.02.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Vamos ouvir uma história recolhida por Xavier Ataíde de Oliveira e publicada no seu livro Contos tradicionais do Algarve” I volume, edição Vega.
Mas antes de ouvirmos a história quero dizer-vos que não houve nenhum pai nem nenhuma mãe a escrever-me sobre isto de eu contar as histórias tal qual foram recolhidas, isto é, com alguma violência pelo meio. Nem que sin, nem que não; ninguém respondeu. E como ficaram calados eu usei o velho ditado que diz “quem cala consente” e vou passar a ler as histórias sem qualquer adaptação que as torne menos…menos…violentas.
Aqui vai a história de hoje. Intitula-se “As três nuvens”
Se queres ler a história ao mesmo tempo que a ouves, clica AQUI.

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Luís Pinto comenta “As Lavadeiras”

21.02.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

É de facto, como, aliás, avisas por duas vezes, uma história terrível.
Eu próprio me senti “arrepiado” pela narrativa.
O ingénuo desfecho não apaga a tenebrosidade do antecedente.
As crianças tuas ouvintes podem-se sentir incomodadas pelas travessuras arrepiantes das duas irmãs?
Complicado este assunto, meu amigo.
Chamo-lhe complicado porque hoje, nestes dias de agora, tudo é violência.
E o mais curioso é a violência ser um produto vendável e rentável.
Uma olhadela aos jogos dos computadores e difícil se torna encontrar um que não realce a supremacia do bem sobre o mal; mas aquele, para vencer este, tem que o deixar numa poça de sangue.
Num noticiário televisivo, em horários de maior audiência, eis a fome, a tortura, a criança esquelética carregada de moscas, o idoso rastejando como cobra.
Comparando esta história por ti lida com as “histórias” de agora, compreendo a posição favorável dos professores e psicólogos.
“Deixai vir a mim as criancinhas…”, ao Estúdio Raposa.
Luís Pinto

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História 83 – “As Lavadeiras”

20.02.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Hoje vamos ouvir a história 83 e como eu gosto muito deste número, esta história vai ser diferente. Diferente porque vos vou contar um segredo e depois porque que história, como vão saber é mesmo muito diferente.
Aqui vai o segredo:
As histórias que vos tenho contado, em muitas delas, há cenas de grande violência. Assim como atirar pessoas para dentro dos poços, abandonar meninos e meninas nas florestas, cortar cabeças, matar pais e filhos, diabos que fazem mal, fadas más, bruxas, eu sei lá. Assim como aquelas que os vossos pais não querem que vejam na televisão. Quando tal acontece eu, sem pedir autorização a ninguém faço umas alterações para que os vossos pais fiquem de bom humor com as histórias tradicionais portuguesas.
Mas acontece que há tempos li um trabalhos de pessoas que percebem destes assuntos, como professores e psicólogos, que acham que aos meninos e às meninas de agora fazem muita falta as histórias tradicionais portuguesas onde estas malandrices acontecem.
Vai daí resolvi contar hoje, uma história da maneira como os meninos, que agora já são avós, as ouviam, contadas pelos seus pais, ou seja, os vossos bisavós.
Aqui vai ela.
Se desejares ler a história ao mesmo tempo que a ouves, clica AQUI

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Poesia 35 – António Botto

20.02.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

António Botto e a sua poesia erótica de cunho homossexual preenche o “Poesia Erótica” número 35.
Se deseja ler os poemas enquanto os ouve, clique AQUI

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Horas de Poesia

17.02.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Está para breve a criação de mais uma categoria a juntar às existentes: Horas de Poesia.
E o que vem a ser isto?
Acontece que alguns ouvintes que têm o bom gosto de ouvir os programas do Estúdio Raposa como “música de fundo” lamentam o facto de terem de, logo que acaba um programa, ir clicar no seguinte. Depois, dizem, gostariam de ouvir os poemas precindindo das notas biográficas. Vai daí, teremos “Horas de Poesia”, colecções de poemas com a duração, aproximada, de uma hora.
Para já, a escolha dos poemas será aleatória. Pode ser que, com o tempo, as “Horas” possam ser por autor ou temáticas.
O retorno das opiniões dos ouvintes indicarão os caminhos a seguir.

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Quando a RTP2 veio visitar o Estúdio Raposa

16.02.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Finalmente, foi possível colocar on line a reportagem sobre o Estúdio Raposa, exibida na RTP2, no mês passado e incluída no programa “Consigo”.
Se a vir, fica a conhecer quem o faz, onde se faz e mais meia-dúzia de pormenores que, espero, sejam interessantes para ficar a conhecer melhor o Estúdio Raposa. Para a ver o vídeo, clique AQUI

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História 82 – O criado do estrujeitante

11.02.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Hoje vamos ouvir uma história que tem um título muito estranho. Aqui vai ele: “O criado do estrujeitante”. E o que vem a ser um estrujeitante? Ora um estrujeitante ou estrejeitante é uma palavra antiga, usada no Minho e que quer dizer mágico, bruxo, feiticeiro, especialmente aqueles que são mestres em transformar coisas em pessoas ou pessoas em coisas ou animais. 
Assim, a história de hoje, tem estrujeitantes pelo meio.
Se queres ler a história enquanto a ouves, clica AQUI.

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Palavras 137 – Luiza Neto Jorge

04.02.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Neste programa vamos ouvir poesia de Luiza Neto Jorge, tradutora e poetisa portuguesa que nos deixou em 1989 com 50 anos.
Se deseja ler o texto do programa enquanto o ouve, clique AQUI.

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História 81 – “Os compadres Lobo e Raposa”

04.02.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

E cá vamos nós ouvir mais uma história de lobos e raposas. Uma história triste para os pobres animais que, por acaso, até eram compadre e comadre. 
A história chama-se “O compadre lobo e a comadre raposa” e foi posta em livro por Adolfo Coelho.
Se queres ler a história ao mesmo tempo que a ouves, clica AQUI

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História 80 – “A Raposinha Gaiteira”

31.01.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Vamos ouvir mais uma história de raposas e lobos. Ia jurar que esta serviu de inspiração ao nosso grande escritor Aquilino Ribeiro no seu livro “O Romance da Raposa”.
Vocês sabem que podem ouvir esta história? Está aqui, no Estúdio Raposa, e este conselho só serve para os que ainda não fizeram o “download” deste famoso livro. Quem não fez, fazem o favor de pedir aos vossos pais que o façam. É uma bela história que vocês vão recordar por toda a vida.
 Ah, já me esquecia; a história que vamos ouvir intitula-se “A Raposinha Gaiteira” e foi recolhida por Adolfo Coelho na região de Coimbra.
Se quiserem ler a história ao mesmo tempo que a ouvem, cliquem AQUI.

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Otília Martel (MM) comenta Poesia 34 – E.M. de Melo e Castro

30.01.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

E.M. de Melo e Castro de seu nome próprio Ernesto Manuel, um dos pioneiros da videopoesia que há décadas causou tal escândalo, que foi destruído pela RTP, é sem dúvida um poeta controverso.
As palavras são para ele sinónimo de várias interpretações que o conduz à poesia animada, projecto que ele gere como uma forma de levar a poesia a outros Mundos.
Falar do Poeta não é fácil, porque os universos paralelos dele são imenso… e é nas palavras que nos oferece que está toda a essência da sua alma.

“Os dias do Amor” uma colectânea de Poesia, com recolha, selecção e organização de Inês Ramos, oferece-nos um poema que nos dá uma visão clarividente da forma como o Poeta encara a vida, poeticamente, nas suas fases, desde a infância e cujo excerto deixo àqueles que ainda não conhecem, nem o livro, nem a poesia nele contida…

“Várias fazes de um poema de amor”
1
Aos quatro anos, comunicado a sua mãe ao acordar de um sonho colorido

era tanto o amor
era tanta a paixão
que um dia o amor
se fez em terror

[…]

5
Aos 45, comunicado a quem ler

de amor se faz amor
de nada mais resulta amor
que amor se faz de amor
de nada mais.
resulta sempre de amor
que amor se faz de nada.
mais resulta que amor de amor
se faz amor de nada.
MAIS

6
Aos 70 anos, para uma mulher: tu

vejo uma mulher distante amante
lutando contra o tempo desviante
uma mulher de células diamante
e oráculos védicos bramantes…

uma rubra submersa corrente
entregue aos ritos aúricos da mente
que me procura e eu busco demente
entre sonoras sombras manualmente.

uma mulher de súbitos desvios
de onde nascem tumultuosos rios
e se perfilam beijos desvarios
em sexos sanguíneos de lírios…!…

uma mulher de hoje e de infinitos
saberes e sabores de que se fazem mitos

[…]

São estas as palavras que como uma dança de vários ritmos o Poeta nos oferece e em cada obra é sempre uma surpresa.
E.M. de Melo e Castro é obrigatório ler!
Grata ao Estúdio Raposa pela divulgação de uma faceta do Poeta, que decerto, alguns não conheciam.
Um abraço

Otília Martel (Menina Marota)

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Leo Jorge Pereira sobre “Palavras de Ouro”

23.01.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Senhor Luís Gaspar, cada vez mais fico encantado com o trabalho que senhor realiza, tenho passado horas e horas das minhas semanas a navegar no site do Estúdio e a cada dia me surpreendo e descubro textos lindíssimos.
Mais uma vez parabéns pelo trabalho tão primoroso, estou muitíssimo ansioso para ouvir os meus modestos escritos narrados pela voz agradável e tranqüila que o senhor dedica às leituras dos textos dos escritores que ainda não tiveram oportunidades.
Um excelente ano repleto de saúde, paz, amor e sucesso. Vida longa ao Estúdio Raposa!
LJP

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História 79 – “A Velha e os Lobos”

22.01.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

“A Velha e os Lobos” é o título da história que vamos ouvir. Uma história que acaba muito mal, mas os ouvintes destas histórias devem saber que nem todas acabam bem. É muito raro, mas às vezes, os príncipes não casam com as princesas, e outras vezes, até casam mas não têm muitos meninos e meninas.

Então vamos lá ouvir uma história que não acaba nada bem.
Se queres ler o texto da história enquanto a ouves, clica AQUI.

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Poesia 34 – “Sim…sim!” E.M. de Melo e Castro

17.01.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Poemas eróticos, pornô, caralhamas, conemas, de engate, execráveis, maneiristas, neobarrocos, subprodutos, desaforismos, escatológicos ou do esgoto, seguidos dos mui inducativos textículos de R’manceu = zero, tudo para gáudio geral.
Palavras de E.M. de Melo e Castro no seu livro “Sim…Sim!”
Se deseja ler o texto do programa enquanto o ouve, clique AQUI.

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História 78 – “A Romãzeira do Macaco”

15.01.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

A Romãzeira do Macaco é como se chama a história que vamos ouvir. Fui buscá-la ao livro de Adolfo Coelho, “Contos Populares Portugueses”, editado pela Ulmeiro
Se queres ler o texto do programa enquanto o ouves, clica AQUI.

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Otília Martel (Menina Marota) sobre Manuela Nogueira

08.01.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Uma malfadada gripe que me tem atormentado só me permitiu hoje, ler e ouvir, a poesia de Manuela Nogueira, sobrinha de Fernando Pessoa que, a par do Dr. Miguel Roza, são os dois últimos sobrinhos vivos do Poeta, num momento que foi disponibilizado no Programa Palavras de Ouro 136, do Estúdio Raposa.
Conheci a literatura de Manuela Nogueira através do seu livro “O Melhor do Mundo são as crianças” que inclui poesias de Fernando Pessoa dedicadas às crianças e ainda de
“Quarteto a Solo”, em parceria com Madalena Férin e outros, bem como de alguma da literatura infantil que escreveu, adquirida para ofertar a jovens familiares.
Não sei se Manuela Nogueira herdou de Fernando Pessoa, seu Tio, os genes da escrita, porque não sei se eles são hereditários, já que a minha formação não engloba este assunto, o certo é que muito terá contribuído a dedicação que ele lhe votava, tal como ao seu irmão Miguel, transparecida nos poemas que a ambos dedicou, bem como o acesso directo e testemunhado de um património literário sem par.
Nos seus inúmeros heterónimos Fernando Pessoa relata muito do tempo vivido e as experiências pessoais que tece com o mundo, o que ele sente e o que ele vê desse próprio mundo.
A sua infância perturbada por vários acontecimentos, levam-no a dedicar, talvez, uma afeição à família que visitava regularmente, saindo da solidão a que tantas vezes se remetia.

“Só, é o ofício de escrever
Só, é o acto de nascer
Só, é o tempo de morrer.”

[…]

“Ás vezes tem forma de verso
Outra, é um correr de palavras como água
que desliza do meu pensamento.
Depois adormeço, numa mágoa sem nexo.

Sei que estou viva porque tenho sexo.” (Manuela Nogueira)

Neste poema recordo Alberto Caeiro quando nos diz:

“Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.” (in Fernando Pessoa, Obras Completas, I volume, pág. 222)

Já o sentimento é controverso, quando Manuela nos diz:

“fui encontrando farrapos de alma
em caminhos obscuros
na miragem de espantosos poentes
engravidei de muitas esperanças.
Quase uni pedaços desavindos
quase soltei vivos demónios
com amigos e inimigos fiz alianças.
Travei o precipício do efémero
e nesse instante acordei só.”[…] (excerto)

“reconheço” nesta palavras de Manuela, a visão de um dos heterónimos que eu mais aprecio de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro que nos diz, na sua vasta obra:

“O que nós vemos das coisas são as coisas.
Porque veríamos nós uma coisa se houvesse outra?
Porque é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores,
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.” (in Fernando Pessoa, Obras Completas, I volume, pág. 196)

Ler os sentimentos de Manuela Nogueira não foi novidade para mim.
A sua literatura consta da minha estante como, talvez, um aprofundar do elo de ligação a Fernando Pessoa, um poeta que me acompanha, em quase todas as fases da minha vida, desde a meninice.
Parabéns a Luís Gaspar por ter dado voz à poesia de Manuela Nogueira, na sua forma tão peculiar de recitar.
Grata a ambos por este momento.

Um abraço
Otília Martel (Menina Marota)

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Luís Pinto sobre Manuela Nogueira

07.01.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Foi decerto para ti uma emoção bastante forte o teres a oportunidade de confraternizares com uma sobrinha de Fernando Pessoa.
O poeta, quer se queira quer não, está sempre presente nos seus heterónimos. Mas ouvires a voz e estares ao lado dum seu tão próximo familiar, tiveste decerto um banho de emoção como quem idolatra algo divino.
Penso também que aconteceu cultura; basta saberes que Manuela Nogueira compartilhou momentos da sua criancice com um dos maiores vultos das letras portuguesas, para teres sentido que dialogavas com o próprio Pessoa, se me é permitida esta frase fantasiosa de quem gostava de ter bebido absinto, naquele tempo, no Martinho da Arcada.
Os poemas por ti ditos são palavras d’ouro que enriquecem este teu tão apreciado programa.
Obrigado.
Luís Pinto

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Palavras 136 – Manuela Nogueira

07.01.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Neste programa, poesia e pequena biografia de Manuela Nogueira.
Se quiser ler o texto do programa enquanto o ouve, clique AQUI

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Leo Jorge Pereira comenta o Estudio Raposa

07.01.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Senhor Luís Gaspar,
cada vez mais fico encantado com o trabalho que senhor realiza, tenho passado horas e horas das minhas semanas a navegar no site do Estúdio e a cada dia me surpreendo e descubro textos lindíssimos. Mais uma vez parabéns pelo trabalho tão primoroso, estou muitíssimo ansioso para ouvir os meus modestos escritos narrados pela voz agradável e tranqüila que o senhor dedica às leituras dos textos dos escritores que ainda não tiveram oportunidades.
Um excelente ano repleto de saúde, paz, amor e sucesso.
Vida longa ao Estúdio Raposa!
LJP

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História 77 – “O Coelhinho Branco”

07.01.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Vamos ouvir um conto popular português, intitulado, “O Coelhinho Branco” recolhido por Adolfo Coelho e publicado na sua obra “Contos Populares Portugueses” editado pela Ulmeiro.
Se quiseres ler o texto da história enquanto ouves, clica AQUI

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Vera Silva comenta “Poesia Erótica 33”

05.01.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Meu querido Luís Gaspar,

eu estou para lhe responder desde que ouvi o programa, mas eu, que tenho por vezes tantas palavras, perdi-as e não sei que lhe diga…
A sua voz é indescritível e a forma como lê os poemas torna-os mágicos. Normalmente acho que o que escrevo não tem muita qualidade, mas lidos por si, ganharam um brilho fantástico.
Muito lhe agradeço o seu fantástico trabalho.
Infelizmente a poesia erótica é muitas vezes confundida com pornografia e há pessoas que quando vêm um poema classificado como erótico nem sequer o abrem, quando muitas vezes têm apenas um toque de sensualidade mais acentuada. Como mulher gosto de ler, e muito especialmente de o ouvir, neste contexto. Talvez seja uma forma de se mudarem gradualmente as mentalidades.
Obrigada por tudo.

Um beijo grande de uma fã incondicional e votos de um feliz Natal

Vera

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Ana Catarino oferece o Romance da Raposa

05.01.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Olá!

Há algum tempo atrás ouvia o “estúdio Raposa” com alguma frequência, mas sei lá eu porquê fui deixando de ouvir os downloads que fazia. Neste momento estou a efectuar um trabalho monótono e repetitivo e por isso comecei a usar o meu brinquedo mais recente: o meu ipod. Ora o ipo está ligado ao itunes e o itunes põe no ipod as músicas e podcasts que tenho no disco (e que por vezes nem sei como foram lá parar). E voltei a ouvir de novo os seus podcasts!!! E que bom que é! Ainda por cima surgiu-me a ideia de oferecer pelo Natal à minha mãe, que é professora, o Romance da Raposa. Acho que ela vai adorar.

Cumprimentos e obrigada pela companhia
Ana Catarino

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Menina Marota comenta programas 131 e 132

05.01.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Mais dois programas de excelência…

António Nobre…

“Ó Virgens que passais, ao Sol-poente,
Pelas estradas ermas, a cantar!
Eu quero ouvir uma canção ardente,
Que me transporte ao meu perdido Lar.

Cantai-me, nessa voz omnipotente,
O Sol que tomba, aureolando o Mar,
A fartura da seara reluzente,
O vinho, a Graça, a formosura, o luar!

Cantai! cantai as límpidas cantigas!
Das ruínas do meu Lar desaterrai
Todas aquelas ilusões antigas

Que eu vi morrer num sonho, como um ai…
Ó suaves e frescas raparigas,
Adormecei-me nessa voz… Cantai! ”

(António Nobre, “Só” pág. 194)

Grata pela partilha.

Um abraço e continuação de um óptimo trabalho 🙂
Beijinho
Menina Marota

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