Otília Martel – “Sonho-te”

12.03.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Sonho-te
que sonhando-me
sonhas-me,
em teus braços,
mil beijos sussurrados

Sonho-te
e sonhando-me
amo-te
no rasgar da pele
buscando
carícias longas
entregando-me

Sonho-te
no abraço incontido
corpo entregue
vencido
em noites de vendaval

E esse perfume errante
– seiva quente –
dá vida, dá alento
mesmo que não passando
de ilusão,
que se desfaz em nada,
tal qual nuvem
em tarde de Verão.

Sonho-te
que sonhando-me
sonhas-me …
amando-te …

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Otília Martel – “Voz na Noite”

16.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Falas-me
com os olhos
das palavras
rios
que rasgam horizontes
em verdes prados
nascidos
na tua voz
feita de desafios

Voz da noite
inquietante,
entre o tom e o som
subindo mais alto
aromas vibrantes
de seiva húmida,
em fúrias de desejo.

Oh, Momento
de estranha sinfonia,
um cântico de amor,
na Voz do horizonte
névoa
do infinito
reminiscência pálida
de um grito
que sai rouco,
vibrante,
da tua Voz

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Otília Martel – “Se tudo isto…”

16.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Se tudo isto é banal, onde existe o divino?
É material a dor, supérfluo o sofrimento?
Onde encontrar razão, finalidade, alento,
Por resignar-se o destino em triste desatino?

E se há uma estrela, além, marcando-nos o destino,
é esforço vão fugir ao perigo dum momento!
E se uma folha move, foi em pensamento
Sacudida por Deus! Não é livre o caminho!

E, porque a carne é impura e, nos arrasta e prende,
é sacrilégio, o amor…o amor que nos ascende,
ao sublime e à renúncia e permanece eterno

Existe o bem e o mal? E a dor que nos tortura?
Não deve, além da morte, haver mais amargura!
Que viver, não pode haver maior inferno!

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Otília Martel – “Sonhos”

16.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Alegra-se a paisagem em beleza,
vendo sonhos a elevarem-se em oração
parecendo que a própria natureza
tem como nós, um coração.

As tardes são de límpida tranquilidade
há doçura e paz na solidão
recordações plenas de saudade
transformadas em sonho e ilusão.

Bailam as folhas, bailam lentamente
voando para longe a renascerem,
levadas pela força da aragem

O céu transporta-nos ao poente,
chegando o pôr-do-sol ao anoitecer
e as sombras adormecem na paisagem

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Otilia Martel – “Horizontes Infinitos”

16.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Vejo nos teus olhos
a tentação do mar

– horizontes infinitos
onde vogam tormentas –

erguem-se clarões
de sonho e de luar,
em carícias subtis,
em harmonias lentas.

E não sei bem porquê,
eu sinto que me leva
a estranha tentação
de palavras e clamores

nesta viagem de retorno
e de espera
sentindo, sem cessar,

o perfume das flores.

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Otília Martel – “Silêncio e ternura”

16.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Entre nós
Há palavras
Desenhadas no
Silêncio da noite.
Entre nós
Há desejos
E carícias
Em cada palavra
Que se não
Pronuncia
Entre nós
Há muros de silêncios
Derrubados
Em cada maré
Que se adivinha

Entre nós
Permanecemos.

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Otília Martel – “Sentires”

16.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Saboreia o mesclado do meu sentir
como romã rubra deixada na tua boca,
acordando sentidos em êxtase peregrinos
como sol em dias quentes de Agosto.

Do meu peito apreende essa canção suprema
que, sempre bela, tem ao tempo resistido.
O amor é um poema
que só poetas sabem seu sentido.

Minhas palavras, porém, ficam aquém do pensamento.

Palavras que ainda não foram gastas
(podem-se gastar as palavras?)
em vidas vividas de sóis nascidos,
alados em caminhos de pedra polida,
brilhando no rasgar do sol-pôr.
Ecos esdrúxulos ouço em silvo estrídulo
roçando por mim em lúcido sonho.

Porque na vida vivida sem gosto e sem sal,
não escorre do corpo a seiva que estonteia
numa estranha volúpia como cordas de violino,
sopros que a brisa calmamente adivinha
em teu olhar que, fulgurante, reluz.

Trazes no corpo o fruto fecundo,
na alma a doçura das marés por descobrir,
feita de aromas inebriantes e falaz luz
que, deslumbrada, em sonhos hipnóticos me traz
uma visão alada, incorpórea, fugaz.

Trazes na voz a força do trovão,
a fragrância da terra molhada,
o suspiro das folhas que se libertam
na loucura de um instante
povoando de sonhos os jardins da quimera.

Trazes em ti a doçura das mulheres que amaste –
fruto amadurecido que tua semente germinou –
o teu olhar condensa o mar habitado
num fogo sentido que não se apagou

(Do livro “Menina Marota – Um desnudar de alma”)

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Otília Martel – “O Poeta”

16.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Quando o Poeta escreve,
solta a alma,
os sentimentos,
a sensibilidade.

Ele pressente no mar
as ondas que o vêem beijar.

Sente, no raiar
de cada manhã,
o arco-íris
da esperança
que lhe dá alento
e lhe traz bonança.

Quando o Poeta escreve,
abraça o Mundo
em cada instante
que a sua alma alcança.

Vê, em cada sol,
nascer
o crepúsculo do Amanhã.
Entrega-se
corpo alma desejo
e
habita o Poema
por inteiro.

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Otília Martel – “Ondas”

16.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Deixo-me embalar pela música.
Fecho os olhos e sinto
o teu rosto mergulhar nas ondas do meu
cabelo.

As tuas mãos como plumas
percorrendo meu corpo.
Encostas-me à janela
e pressionas o teu corpo no meu.

Sinto uma volúpia quente
subir e fundir-se em mim.
Uma a uma, as peças vão desaparecendo
e eu estou ali,
nua, faminta, com as ondas
do meu corpo a chamarem-te …

E tu vens, qual trovão em dias de
tempestade.
Para lá da janela, nada mais existe.
Somos nós, um só corpo
possuídos pelo mesmo desejo:
Amar …

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Otília Martel – “Cálida”

10.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Cálida,
a noite vem nos teus olhos
quando a lua se descobre
e a promessa dos teus beijos
me estremece.
As tuas mãos,
que não tocaram meu corpo nestes dias sem tempo,
viajam no sonho e nas palavras,
florescendo no corpo húmido que se agita no desejo.
Desvendo os sons sentidos no silêncio
e neles quebro meu olhar que se espraia no horizonte,
como nuvem em dia de chuva.
Embalo-me como estrela cadente
ritmada em suave toque,
onde te imagino
percorrendo-me, gota a gota,
sorvida calidamente no desejo dos
teus lábios sôfregos,
que circulam em cada pedaço da
[minha pele … ]
És.
Sou.
Imaginação
e
Fim.

(Do livro “Menina Marota – Um desnudar de alma”)

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Otília Martel – “Momentos”

08.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Não me apetece dizer o que penso,
o que sinto, o que sou.
Não me apetece dizer-te
para onde vou, onde estou
o que senti.
Não me apetece manifestar meus afectos,
meus carinhos, pedir um beijo,
roçar teu corpo em mil desejos …
Não me apetece dizer
quantos orgasmos tive,
quando me possuías loucamente.
Não me apetece dizer o que sinto
quando o frenesim da tua boca
roça as minhas coxas
e me deixas louca de tesão.
Não me apetece!
E apetece-me tudo …

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Otília Martel – “Volúpia”

08.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Fecho os olhos e
ousadamente
os meus lábios
tecem o teu corpo
na volúpia da tua pele.
As minhas mãos percorrem
calmamente,
sem pressa,
em carícias incontidas
em desejos refreados
de mulher-fêmea que
se solta nos teus braços.
Um instante abrasador
de loucura.
Nossas peles colam-se
suadas,
frementes
num amor arrebatado
que já não conseguimos conter.
Chuva fina de amor em exaustão –
limites para além da nossa paixão –
eu me dou no teu corpo vivido
bebes-me
sugas-me
a alma dentro do sentimento
em lençóis vermelhos para lá da imaginação.
Sem medos nem pudor
nossos corpos conhecem o caminho …

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Otília Martel – “Como dizer-te””

08.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Como dizer-te
que povoas
o meu sono
ao cair da noite,
quando o dia termina,
despertando sensações
há muito escondidas em mim.

Como dizer-te
que em sonhos
as tuas mãos afagam meus cabelos
e percorrem-me ondas de emoção.

Como dizer-te
que a tua voz
me possui, entrando
no meu ouvido, como seta
directa ao coração.

Como dizer-te
das sensações primeiras
coração aberto
sorriso franco
em sangue quente
que me inunda
e dá alento.

Como dizer-te
que és maré-alta
em noite de lua cheia.

Como dizer-te…

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