Nota biográfica

Poetisa, escritora e jornalista angolana, Maria Lília Valente da Fonseca Severino nasceu em 1916, na cidade de Benguela e faleceu em Lisboa, em 1991 Veio para Portugal e em Coimbra e no Porto fez os seus estudos académicos. Amante do jornalismo, iniciou esta atividade colaborando no jornal "A Província de Angola". Exerceu o cargo de diretora do jornal "Magazine da Mulher" e colaborou com muitos outros jornais e revistas. Escritora reconhecida na área da literatura infantil, escreveu também poesia.

Lília da Fonseca – “Poema da hora presente”

02.02.2016 | Produção e voz: Luís Gaspar

meninos-de-angola
(Pintura dos Meninos de Angola)

A maré sobe
longínqua e distante,
mas sobe…

Tem a força de um atlante
e a frescura gloriosa da manhã!

Podem forjar matadoiros,
abrir veia por veia
os pulsos que não suportam algemas;
e preparar sorvedoiros
e emboscadas de atalaia
e erguer barreiras na praia
contra a onda que se alteia
para afogar nos seus braços
abismos de escuridão…

Areias louras da praia
a hora da maré cheia
cantai-a,
não há barreira que tolha
a gloriosa ascensão!
Onde o poder p’ra impedir
que a Primavera floresça?

Aconteça o que aconteça,
a Primavera há-de vir
e a maré,
longínqua e distante,
continuará a subir…

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