Category Archives: Graça Pires

Graça Pires (Figueira da Foz, 22 de Novembro de 1946) é uma poetisa portuguesa.
É licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Editou o seu primeiro livro em 1990, depois de ter recebido o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores com o livro Poemas.

Graça Pires – “Quero uma casa…”

Quero uma casa com paredes azuis, com varandas vidradas sobre a noite. Um abrigado lugar no eixo do silêncio. Um espaço intemporal. Sagrado. Ancorado perto de um signo lunar, ou preso a um verão inesperado. Quero dançar dentro das palavras … Continue reading

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Graça Pires – “No meu país havia…”

No meu país havia marinheiros com braços de tempestade. Havia um cais e um sonho ateado em cada mastro. E havia no vento o chamamento do mar. Havia no meu país o voo antigo dos pássaros para adivinhar a sina … Continue reading

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Graça Pires – “Nocturno”

À noite vou por aí, ociosamente. Percorro um ritual lilás feito de violetas de pedra e traço cada pausa no retorno da lua inicial. Aqui a memória é lenta como as angústias. Muitas vezes vejo árvores com frutos azuis, ou … Continue reading

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Graça Pires – “Os nomes…”

Os nomes que dei às mãos desenham-se tão perto de mim que compreendo o desejo sem fantasmas. Nos dedos principiam as marés e neles se misturam o reflexo e a máscara de regressos e errâncias por equacionar. Os olhos não … Continue reading

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Graça Pires – “De Novembro”

Vem de Novembro esta seiva impetuosa, onde as raízes da utopia se perpetuam no sangue, como um percurso alienado. Um outono de sede no interior descuidado das mimosas, a semente e o parto das amoras doces, um carnaval cinzelado no … Continue reading

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Graça Pires – “Quando anoitece”

Quando anoitece contorno no meu rosto o perfil do dia que passou e tudo o que não sou me contradiz. Quando anoitece atravesso um labirinto caiado de paixão, pretexto circular da minha fé. Quando anoitece faço emergir do abismo um … Continue reading

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Graça Pires – “Sem mais”

Sem mais nem menos surgiu o passado, Sem mais nem menos surgiu o passado, corpo intranquilo feito de sons semelhantes aos rostos que amei, universo donde me excluí, mar desprovido de cais na obliquidade dos contrastes. Esta noite voltei à … Continue reading

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Graça Pires – “Mãos”

Os nomes que dei às mãos desenham-se tão perto de mim que compreendo o desejo sem fantasmas. Nos dedos principiam as marés e neles se misturam o reflexo e a máscara de regressos e errâncias por equacionar. Os olhos não … Continue reading

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Graça Pires – “Sonho”

Todos os dias me descubro 
personagem de uma fábula
 de sílabas e barcos, 
entrançando as veias
 no joelho da terra
 como urzes incensadas no vento.

 É quase eterna a raiz,
 do corpo ou do mundo,
 no tom húmido que agasalha … Continue reading

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