Nota biográfica

Eugénio de Castro e Almeida (Coimbra, 4 de março de 1869 — 17 de agosto de 1944) foi um escritor português. Por volta de 1889 formou-se em Letras pela Universidade de Coimbra e mais tarde veio a leccionar nessa faculdade.

Eugénio de Castro – “Clepsidra”

22.09.2017 | Produção e voz: Luís Gaspar

Murmúrio de água na clepsidra gotejante,
Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre…

Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa…

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Eugénio de Castro – “A minha filha Violante”

15.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Acorda cedo como os passarinhos,
vem logo direita à minha cama;
Sacode-me com jeito, por mim chama
E abre-me os olhos com os seus dedinhos.
Estremunhado, zango-me. – “Beijinhos,
“Não quer beijinhos?” com voz d’ouro exclama:
Da minha ira empalidece a chama,
E, acarinhando-a, pago os seus carinhos.
Senhor! que amor de filha tu me deste!
Dá-lhe um caminho brando e sem abrolhos,
Dá-lhe a virtude por amparo e guia;
E destina também, ó Pai celeste,
Que a mão com que ela agora me abre os olhos
Seja a que há de fechar-mos algum dia!

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