Category Archives: Casimiro de Brito

Casimiro Cavaco Correia de Brito (Loulé – Algarve, 14 de Fevereiro de 1938) é um poeta, ensaísta e ficcionista português.

Casimiro de Brito – “O problema…”

O problema não é meter o mundo no poema; alimentá-lo de luz, planetas vegetação. Nem tão- pouco enriquecê-lo, ornamentá-lo com palavras delicadas, abertas ao amor e à morte, ao sol, ao vício, aos corpos nus dos amantes – o problema … Continue reading

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Casimiro de Brito – “Poderei…”

Poderei desnudar um pouco mais o teu corpo nu? Poderei descalçar o teu pé que pousa descalço? Dizer-te outras mil vezes esta canção furtiva que nunca mais acaba? Poderei dançar cantar no chão onde me decantei noites inteiras? Amar-te se … Continue reading

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Casimiro de Brito – “Nu…”

Nu, na minha cama de hotel, deixo-me invadir pela memória do mel. E choro. Choro porque não posso beber as tuas lágrimas. Choro porque não podes lamber o meu sal. by

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Casimiro de Brito – “A luz…”

A luz trocada em olhos que ficaram subitamente cegos, e depois as palavras, cautelosas, dizendo a seda dos nossos corpos sós. O desejo foi polindo em silêncio um fruto em busca da sua maturação. A teu lado me deito e … Continue reading

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Casimiro de Brito – “Fuga”

Alto estou a teu lado no verão deitado Alto no esplendor de possuir-te e trocarmos silenciosamente os frutos mais fundos da morte Como se navegasse um rio por dentro e na tua fragilidade encontrasse a minha força Um caminho rigoroso … Continue reading

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Casimiro de Brito – “Entro…”

Entro paciente e afundo-me no reino da mãe. O barro mais antigo brilha no teu sexo que se abre escuro ao meu desejo — à ternura, ao furor que busca o caos. Só em ti, que não temes a noite … Continue reading

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Casimiro de Brito – “Amando…”

Amando noite e dia num hotel de Madrid cheguei à conclusão que só o amor pode decifrar o segredo; que só no sexo se aproximam a música e a música de corpos habitados por essa poesia que vem do fundo. … Continue reading

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Casimiro de Brito – “Sento-me”

Sento-me à beira da cama que nos acolheu: um rio que recebeu o músculo, o sangue rumoroso e não partiu. Um lago azul de mais e por demais queimado onde, semi-acordada, dormes. Uma feiticeira. Disseste ontem à noite, Acorda-me quando … Continue reading

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Casimiro de Brito – “Quando”

I Quando já não se espera nada a vida, cascata impetuosa, tem outro sabor: é um grão de luz, uma gota que nos inunda e então esse que não esperava nada abre os olhos e vê e ouve e tudo … Continue reading

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Casimiro de Brito – “Como se fosses um rio”

Como se fosses um rio e esse rio ascendesse, amo-te, quero dizer, entro em tuas terras, eu que nunca delas saí. Como se fôssemos as duas primeiras gotas do primeiro rio descemos lado a lado, olhamos um para o outro … Continue reading

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Casimiro de Brito – “Escrevo com o teu sexo”

Escrevo com o teu sexo nos olhos. Aproximo a língua do chão onde uma flor de carne brilha. O teu olhar derrama-se nas areias do meu corpo, as tuas unhas na raiz dos meus cabelos, a tua língua nos músculos … Continue reading

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Casimiro de Brito – “Amo-te porque…”

Amo-te porque sou dependente do teu odor. Amo-te porque balanças nos ventos futuros. Porque sou uma árvore que se abriga à tua sombra. Amo-te porque só sei respirar na cidade de Eros. Amo as marcas indecifráveis de todas as etnias … Continue reading

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Casimiro de Brito – “Acordo”

Acordo. Dormes ainda. Que fazer se me apetece? Pego na tua mão e pouso-a onde estou vivo. Respiras. Andantino. As costas para mim. Não resisto. Os dedos, leves, ensalivados, vão à procura do grão, do seu pólen. Vão e vêm, … Continue reading

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