Category Archives: Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi um famoso poeta, contista e cronista brasileiro.

Carlos Drummond de Andrade – “O medo”

Em verdade temos medo. 
Nascemos escuro.
 As existências são poucas:
 Carteiro, ditador, soldado. 
Nosso destino, incompleto.

 E fomos educados para o medo. 
Cheiramos flores de medo.
 Vestimos panos de medo. 
De medo, vermelhos rios
vadiamos. 
 
Somos apenas uns homens 
e … Continue reading

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Carlos Drummond de Andrade – “Quadrilha”

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e … Continue reading

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Carlos Drummond de Andrade – “A Máquina do Mundo”

Este poema, juntamente com 9 outros, faz parte de um CD que editei e que está disponível na Loja da Raposa para aquisição e a que dei o título de “Os 10+”. Estes poemas foram selecionados por uma revista brasileira … Continue reading

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Carlos Drummond de Andrade – “O que se passa…”

(O que se passa na cama é segredo de quem ama.) É segredo de quem ama não conhecer pela rama gozo que seja profundo, elaborado na terra e tão fora deste mundo que o corpo, encontrando o corpo e por … Continue reading

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Carlos Drummond de Andrade – “No mármore..”

No mármore de tua bunda gravei o meu epitáfio.
 Agora que nos separamos, minha morte já não me pertence.
 Tu a levaste contigo. by

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Carlos Drummond de Andrade – “”No corpo…”

No corpo feminino, esse retiro

 — a doce bunda — é ainda o que prefiro. A ela, meu mais íntimo suspiro, pois tanto mais a apalpo quanto a miro. Que tanto mais a quero, se me firo em unhas protestantes, … Continue reading

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Carlos Drummond de Andrade – “Era bom…”

Era bom alisar seu traseiro marmóreo e nele soletrar meu destino completo: paixão, volúpia, dor, vida e morte beijando-se em alvos esponsais numa curva infinita. Era amargo sentir em seu frio traseiro a cor do outro final, a esférica renúncia … Continue reading

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Carlos Drummond de Andrade – “A bunda, que engraçada”

A bunda, que engraçada. Está sempre sorrindo, nunca é trágica. Não lhe importa o que vai pela frente do corpo. A bunda basta-se. Existe algo mais? Talvez os seios. Ora — murmura a bunda — esses garotos ainda lhes falta … Continue reading

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Carlos Drummond de Andrade – “Não passou”

Passou? Minúsculas eternidades deglutidas por mínimos relógios ressoam na mente cavernosa. Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz. A mão- a tua mão, nossas mãos- rugosas, têm o antigo calor de quando éramos vivos. Éramos? Hoje somos mais vivos do que … Continue reading

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Carlos Drummond de Andrade – “E agora, José?”

E agora, José ? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José ? e agora, você ? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama protesta, … Continue reading

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Carlos Drummond de Andrade – “Receita de Ano Novo”

Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de … Continue reading

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Carlos Drummond de Andrade – “Os amantes…”

Os amantes se amam cruelmente e com se amarem tanto não se veem. Um se beija no outro, refletido. Dois amantes que são? Dois inimigos. Amantes são meninos estragados pelo mimo de amar: e não percebem quanto se pulverizam no … Continue reading

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