Category Archives: Álvaro de Campos

Álvaro de Campos (Tavira ou Lisboa, 13 ou 15 de Outubro de 1890 — ?) é um dos heterónimos mais conhecidos de Fernando Pessoa.
Era um engenheiro de educação inglesa e origem inglesa, mas sempre com a sensação de ser um estrangeiro em qualquer parte da África.

Álvaro de Campos – “Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa”

Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara, Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele; E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto … Continue reading

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Álvaro de Campos – “Dactilografia”

Traço sozinho, no meu cubículo de engenheiro, o plano, Firmo o projecto, aqui isolado. Remoto até de quem eu sou. Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro, O tic-tac estalado das máquinas de escrever. Que náusea da vida! Que abjecção esta regularidade! … Continue reading

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Álvaro de Campos – “Acordar da cidade de Lisboa…”

Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras, 
Acordar da rua do Ouro, 
Acordar do Rossio, às portas dos cafés, 
Acordar 
E no meio de tudo a gare, que nunca dorme,
 Como um coração que tem que … Continue reading

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Álvaro de Campos – “Nuvens”

No dia triste o meu coração mais triste que o dia… Obrigações morais e civis? Complexidade de deveres, de consequências? Não, nada… O dia triste, a pouca vontade para tudo… Nada…   Outros viajam (também viajei), outros estão ao sol … Continue reading

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Álvaro de Campos – “Opiário”

É antes do ópio que a minh’alma é doente. Sentir a vida convalesce e estiola E eu vou buscar ao ópio que consola Um Oriente ao oriente do Oriente. 
 Esta vida de bordo há-de matar-me. São dias só de … Continue reading

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Álvaro de Campos – “Soneto já antigo”

Olha, Daisy: quando eu morrer tu hás-de Dizer aos meus amigos aí de Londres, Embora não o sintas, que tu escondes A grande dor da minha morte. Irás de Londres p’ra York, onde nasceste (dizes… Que eu nada que tu … Continue reading

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Álvaro de Campos – “A Tabacaria” (2)

Este poema de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) foi declamado por mim, pela primeira vez, no dia 28 de Abril de 2006, incluído no programa Palavras de Ouro nº 41. Volto a declama-lo agora, passados 6 anos. Não sou nada. … Continue reading

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Álvaro de Campos – “Tabacaria”

Não sou nada. 
 Nunca serei nada. 
 Não posso querer ser nada. 
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Janelas do meu quarto, 
 Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém … Continue reading

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Álvaro de Campos – “Ao volante do Chevrolet…”

Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra, 
 Ao luar o ao sonho, na estrada deserta, 
 Sozinho guio, guio quase devagar, e um pouco 
 Me parece, ou me forço um pouco para que me pareça, 
 Que … Continue reading

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Álvaro de Campos – “Lisbon Revisited”

Não: não quero nada. 
 Já disse que não quero nada. Não me venham com conclusões! 
A única conclusão é morrer. Não me tragam estéticas! 
Não me falem em moral! 
 Tirem-me daqui a metafísica! 
Não me apregoem sistemas completos, … Continue reading

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Álvaro de Campos – “Poema em linha recta”

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido … Continue reading

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Álvaro de Campos – “Dá-me lírios”

Dá-me lírios, lírios, E rosas também. Mas se não tens lírios Nem rosas a dar-me, Tem vontade ao menos De me dar os lírios E também as rosas. Basta-me a vomtade, Que tens, se a tiveres, De me dar os … Continue reading

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Álvaro de Campos – “Grandes são os desertos”

Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo. Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes – Desertas … Continue reading

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Álvaro de Campos – “Cansaço”

O que há em mim é sobretudo cansaço O que há em mim é sobretudo cansaço Não disto ou daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço. A subtileza das sensações inúteis, As paixões … Continue reading

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Álvaro de Campos – “Aniversário”

Aniversário Fernando Pessoa/Álvaro de Campos No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, Eu era feliz e ninguém estava morto. Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos, E a alegria de todos, … Continue reading

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