Nota biográfica

Alberto Correia de Lacerda (Ilha de Moçambique, 20 de Setembro de 1928 — Londres, 26 de Agosto de 2007) foi um poeta português.

Alberto de Lacerda – “Tese e Antítese”

26.03.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Nunca mais
E arrasto comigo pelo braço da esperança
As horas marejadas as pedras do desgosto
A fome de amor
A cavernosa rouca diamantina
Fome de amor

Nunca mais e sobre os altos silêncios
No tumulto insensato
À beira do abismo
Ressuscito
Os rostos bem amados
Traiçoeiros
Dou-lhes andas
Dou-lhes palhaços
A infância que não tive
E que perdi
A paz que não é minha

Nunca mais

Agora só há abismos não há rostos

Passem duendes príncipes Antinos
Mas de largo

Alberto Lacerda – “Lourenço Marques Revisited”

12.03.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

A água que murmura espectros lentos

O que houve e não houve e não volta nunca mais

Os quartos sem esperança que os guardasse

As casas sem anjo da guarda

A luz intensa bela e dolorosa

A adolescência dilacerada

A ternura dezoito anos recusada

Na casa dos Átridas

O crime horroroso que não houve

Mas as feridas abriram manaram um sangue

Que penetra implacável as fendas do sono

E me deixa acordado à beira da estrada

Com lágrimas que percorrem

Trinta e quatro anos