Nota biográfica >>

Luiza Neto Jorge (Lisboa, 1939 — Lisboa, 1989) foi uma tradutora e poetisa portuguesa.

Luiza Neto Jorge – “Soneto”

16.01.2012

A silabar que o poema é estulto
o amado abre os dentes e eu deslizo;
sismos, orgasmos tremem-lhe no olhar
enquanto eu, quase a rimar, exulto.

Conheço toda a terra só de amar:
sem nós e sem desvãos, um corpo liso.
Tenho o mênstruo escondido num reduto
onde teoricamente chega o mar.

Nos desertos – íntimos, insuspeitos –
já caem com a calma as avestruzes
– ou a distância, com o oásis, finda;

à medida que nos arcaicos leitos
se vão molhando vozes e alcatruzes
ao descerem ao fundo pego, e à vinda

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