Nota biográfica

Nascido em Lourenço Marques, no seio de uma família goesa. Apoiou a candidatura de Norton de Matos e foi preso três vezes pela Pide (1950-1953). Da última vez, esteve preso por cinco meses, acusado de militar em defesa da paz. Passou pelo ensino particular até ser proibido de ensinar e trabalhou na publicidade.

Orlando da Costa – “As mãos e as mãos” (sem música)

30.07.2014 | Produção e voz: Luís Gaspar

maos
A polpa secreta
Das tuas mãos
Espero-a inteira
Espero-a inteira
Como frutos à beira
Da fome de alguém
Espero-a inteira
Nesta fome que vem
Só das tuas para as minhas mãos

Minhas mãos geladas
Minhas mãos suadas
Em rebentos de cada esforço
Descarnadas mãos
De que já riu a ferrugem das grades

Minhas mãos abertas para que creias
Mãos suadas e novamente suadas
Mãos capazes de enxertar veias

A polpa secreta
Das tuas mãos
Espero-a inteira inteira

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Orlando da Costa – “Canto Civil 2”

10.12.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Soldado raso

ao cimo da calçada
 
em guarda
 
de flor e farda
 
a flor que te damos
 
é pão da madrugada
  
É pão amassado
 
sem liberdade
 
é gesto de guerra
 
em nome da paz.
 
É flor de canção
 
em terra mar e ar
 
rubra flor popular
 
num só cano de espingarda
  
Soldado raso
  
em sentido na memória
 
lembra-te de novo e sempre
 
a flor que te damos
  
é da terra é do povo

é pão da madrugada.

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Orlando da Costa – “Canto civil 1”

10.12.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

 Este é o meu canto civil
 
canto cívico graduado
 
desde um tempo antigo que vivi
 
entre poemas de aço camuflados e algemas de silêncio
 
Esse era o tempo do assalto às casernas
 
mas já então eu escrevia o que devia:
 
a cartilha da guerrilha do amor e da paz
 
para ser ensinada à luz das lanternas
 
nas escolas nas igrejas na parada dos quartéis
   
Este é o meu canto civil
 
canto cívico desfardado
 
escrito a vinte e oito de Abril
 
do ano passado à noite
 
de punho cerrado com alegria e sem espanto
 
canto para ser cantado de dia

por todos por muitos por mim ou por ninguém

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Orlando da Costa – “As mãos e as mãos”

10.12.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

A polpa secreta
Das tuas mãos
Espero-a inteira
Espero-a inteira
Como frutos à beira
Da fome de alguém
Espero-a inteira
Nesta fome que vem
Só das tuas para as minhas mãos

Minhas mãos geladas
Minhas mãos suadas
Em rebentos de cada esforço
Descarnadas mãos
De que já riu a ferrugem das grades

Minhas mãos abertas para que creias
Mãos suadas e novamente suadas
Mãos capazes de enxertar veias

A polpa secreta
Das tuas mãos
Espero-a inteira inteira

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