Nota biográfica

Poesia correndo pelas veias de mãe (Sophia) e sua filha, Maria.

Maria Andresen – “Piano”

14.10.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Há seres assim que se encerram
nos mais rasos e
desabridos campos onde
placas negras de xisto e rosa
ou grandes massas de pedra por vezes
entreabrindo laminadas estrias acres
sem brandura
esse é o teu hirto gesto
o corpo reduzido a que
suporte apenas o rictus de um olhar
sonâmbulo e fixo e seu
trabalho dobrado sobre
as mãos escusas
já não carne: apenas
o espírito desse vento descampado
em tão cerrada e rente
soletração do tempo
tudo o mais é acre e breve riso
palavras ociosas e agitadas
(como se por elas
de tão brancas terras
te afastasses)

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Maria Andresen – “Olhar”

14.10.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Olhá-los-ás sempre iluminados e partidos
aquele que te quer
e querendo te não quer
mesmo que queira
passareis assim num passeio ao longe
por tua altivez criados e ausentes
tal como uma luz certeira e crua
te ordena
à inclinação que as horas determinam
e no entanto suspendeste
por vezes a olhar como se
inquebrado
alguém irrompesse contra a luz:
a sua queda e sua ordenação
nunca e sempre será
um tempo sem baínha
quando ter-te e não te ter
tão perto e longe

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