Joaquim Carvalho – “Viagem”

15.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Se barco fosse
Gostava de ter remos
Muitos remos
Muitos lemes
Muitos rumos
Gostava de ter proa
Muita proa
Muita ré
Muito mar
Muita maré
Se mastro fosse
Gostava de ter velas
Muitas velas
Muitas cordas
Muitos ventos contra elas
Se onda fosse
Gostava de ter mar
Muito mar
Muita praia p´ra espraiar
Muito estibordo luzente
Muito barco a baloiçar
Muitos sonhos
Muitos sonos
Muita gente
P´ra embalar
Se barco fosse
Havia muito partir
Havia muito aportar
Havia muitos encontros
Muita gente
P´ra casar
O longe tornava perto
Perto seria o lugar
Aonde me levariam as ondas
Sempre…Sempre a cantar!
Se barco fosse…
Todo o tempo era tempo
De velas a enfunar!
Todo o tempo era tempo
De dar sentido ao vento!
Todo o tempo era tempo
De unir
Terra Céu e Mar!
Todo o tempo era tempo futuro!…

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Joaquin Carvalho – “Sonho sem data”

15.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Os círios da Páscoa
Estão acesos em todas as casas

Já não importa
A religião de quem lá mora

A luz que distingue o bem do mal
Tem uma origem só

A esperança de cada um
Tornou-se universal!

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Joaquim Carvalho – “Sobre a efemeridade das coisas”

15.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Há coisas eternas
como a luz.
Outras
a viver vão morrendo.

Outrora,
os ciprestes que ladeavam a casa
ofertavam-lhe a sombra
que amaciava o sol
ao entrar pelas janelas.

Hoje,
dos ciprestes já não há sombras.
Também já não há casa.
O sol continua lá.
A gritar
onde a casa é
a ausência dela.

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Joaquim Carvalho – “Outonos”

15.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Na bruma modelam-se formas
Que adivinho sem saber porquê.

Da superfície das telas tingidas, uma, outra,
E outra ainda com cores da terra,
soltam-se segredos
Apontados em formas e cores,
Indizíveis senão do modo como o faço.

Indícios de mim presentes…
Outonos de vida passada…

Ao reconhecer-me neles
Trago à memória uma grande tela branca
Que ainda não pintei…

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Joaquim Carvalho – “O Cair da noite…”

11.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

O cair da noite
Adoça o branco da cal
Que acoita os que dormem

Reduz a inclinação nos corpos
Dos que se procuram
Na insónia

Incita a busca
De flores de trevo
No feno

Liberta as rosas
Exaustas
Que, cobertas de lírios brancos,
Acalmam em açucenas.

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