Nota biográfica

Constança Lucas nasceu em Coimbra, em 1960. Passou a viver em São Paulo no fim da década de 1970, onde fez Licenciatura Plena em Artes Plásticas na FAAP - Fundação Armando Álvares Penteado e Pós-Graduação em Artes na ECA - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - USP. Fez diversos cursos de artes plásticas, literatura, fotografia e de história da arte, em museus e instituições culturais.

Constança Lucas – “Foi num adeus…”

14.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Foi num adeus que mais te amei
nas nossas mãos as cores cantaram
numa harmonia de saudades futuras
nos quereres contorcidos em ondas quentes
onde o lenço imaginado corria pelo vento
nas ruas da nossa cidade encantada
só de palavras e afeições longas
olhávamos as folhas em silêncio
por tanto querermos os toques
em arrepios de ternuras
lânguida corri pelo teu corpo
por nada nele deixar de querer
fiquei embevecida com o teu canto
por infinitos tempos das nossas peles

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Constança Lucas – “Sonho”

14.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Escuta este sonho não é para ti
ele pertence-me
não desisto do meu medo
da minha alegria
da minha amargura
de querer que acabe a realidade
tudo me cansa
tão profundamente
quando me querem invadir
nos meus sonhos
mesmo não os conhecendo

E por vezes quero que me deixem
ver o mundo
mandar a realidade tomar banho
mudar de cheiro
deixar de me perseguir
nesta angústia de nada poder
e ao mesmo tempo saber
que tanto posso

Sonho nas noites
de dias sem tempo
acordada ou mesmo a dormir
sempre num parque
de cores caídas
nesta nossa casa
tão nossa
mas os sonhos
alguns são só meus

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Constança Lucas – “Foi assim…”

10.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Foi assim que te disse adeus
nem sabias
numa tarde depois, numa tela
soube que teria de me despedir
não para sempre, apenas uma parte de mim
onde os amigos se sentem
mesmo a magoar dizem
não consegues
parte de ti ficou na primeira camada
as tintas que vieram cobriram-te
as horas não são as mesmas

Queria despedir-me sem mágoa
sem esta tristeza arrepiante
insistente em dar-se aos outros
antes em nada querer
hoje o cansaço está grande
tenho que te dizer tanta coisa
tenho que te dizer das cores
tenho que te dizer dos corpos
tenho que te dizer adeus

Voltarei a falar contigo
os dois seremos outros
e sim as horas serão mais parecidas
um outro abraço
de mundos em construção
deixados os receios nos bolsos
em continentes abraçados
tenho que te dizer as palavras
tenho que te dizer os novos caminhos
tenho que te dizer até já

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