Category Archives: Cesário Verde

José Joaquim Cesário Verde (Lisboa, 25 de Fevereiro de 1855 — Lumiar, 19 de Julho de 1886) foi um poeta português, sendo considerado um dos precursores da poesia que seria feita em Portugal no século XX.

Cesário Verde – “De tarde”

Naquele «pic-nic» de burguesas, Houve uma coisa simplesmente bela, E que, sem ter história nem grandezas, Em todo o caso dava uma aguarela. Foi quando tu, descendo do burrico, Foste colher, sem imposturas tolas, A um granzoal azul de grão-de-bico … Continue reading

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Cesário Verde – “Deslumbramentos”

Milady, é perigoso contemplá-la Quando passa aromática e normal, Com seu tipo tão nobre e tão de sala, Com seus gestos de neve e de metal. Sem que nisso a desgoste ou desenfade, Quantas vezes, senguindo-lhes as passadas, Eu vejo-a, … Continue reading

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Cesário Verde – “Débil”

Eu, que sou feio, sólido, leal, A ti, que és bela, frágil, assustada, Quero estimar-te , sempre, recatada Numa existência honesta, de cristal. Sentado à mesa dum café devasso, Ao avistar-te há pouco, fraca e loura Nesta BabeI tão velha … Continue reading

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Cesário Verde – “Cinismos”

Eu hei-de lhe falar lugubremente Do meu amor enorme e massacrado, Falar-lhe com a luz e a fé dum crente. Hei-de expor-lhe o meu peito descarnado, Chamar-lhe minha cruz e meu calvário, E ser menos que um Judas empalhado. Hei-de … Continue reading

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Cesário Verde – “Desastre”

Ele ia numa maca, em ânsias, contrafeito, Soltando fundos ais e trémulos queixumes; Caíra dum andaime e dera com o peito, Pesada e secamente, em cima duns tapumes. A brisa que balouça as árvores das praças, Como uma mãe erguia … Continue reading

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