Nota biográfica

Beatriz Barroso - Nasceu em Luanda, mas as suas raízes vêm do Porto. Frequentou o Curso de Filosofia (incompleto) da Faculdade de Letras e terminou o Curso de Estudos Europeus. Tem uma vasta produção de poesia.

Beatriz Barroso – “A voz que me inventou”

12.02.2014 | Produção e voz: Luís Gaspar

Se tu pudesses chegar aqui,
E resgatar do meu peito,
As palavras tristes,
Que ele silencia,
Far-te-ia de seguida um poema,

Belo,
Perfeito,
Feliz,
Porque me aliviaste a alma,
Do peso que nela eu trazia.

Ai, se tu pudesses chegar aqui, E
emprestar-me a tua voz, Eu
ousaria novas palavras,
Neologismo audaz eu tentaria,
Para recriar o sentimento, Que há
tanto tempo, eu tento, E que no
modo, eu já esqueci.

Ai, se tu chegasses agora,
Não morria a minha poesia.
Empresta-me a voz que a inventou,
Para que descubra a melhor prosa de que sou
capaz…

(Este poema foi dedicado)

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Beatriz Barroso – “Se eu fosse…”

09.02.2014 | Produção e voz: Luís Gaspar

Se eu fosse uma nuvem…
Branca e leve,
Iria com o vento,
Para junto da tua janela,
Para te convidar a um passeio,
Para te levar a um sítio belo,
Para veres o mar e sentires o seu cheiro,
Para veres os campos cobertos de verde,
E de flores lindas com muitas cores.
Se eu fosse uma nuvem…
Ensinar-te-ia a voar,
E a sentires a vida de outra forma,
Como aquelas aves migratórias,
Que buscam um lugar ao Sol para viver,
Que partem rumo à aventura e ao sonho,
Apenas para se sentirem felizes,
Para poderem sobreviver.
Se eu fosse uma nuvem…
Eu me regozijaria por te mostrar tanta coisa
bonita,
Que fico com muita pena,
Por não me poder transformar.
Por ter que penar por te ver,
Vestida de alma tantas e tantas vezes sofrida,
Sem daqui nada poder fazer,
A não ser dizer-te,
– Que sou tua amiga!

(Poema incluído no seu recente livro de poesia “Os Nós do Tempo e o Tempo de Nós”. Edição Chiado Editora)

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Beatriz Barroso – “Quero…”

04.07.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Quero enfrentar a minha iniquidade
A minha elegia
A minha preguiça
Os meus desatinos
A minha fragilidade
A minha cobardia

Quero ser pessoa inteira,
Viver com confiança
Enfrentar com ousadia os meus medos

Quero ser feliz,
Viver abraçada pela esperança,
Mesmo que da minha alma prisioneira!

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Beatriz Barroso – “Silêncio”

14.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Diz-se o silêncio,
Não são precisas palavras,
Fala-nos por si e no meio de tanta gente,
Faz-nos sentir quanto é premente,
Vencer as barreiras que nos aporta o tempo…

Diz-se o silêncio,
Impõe-se, belisca-nos, agita-nos…
Porque nos  mexe na alma e nos morde o corpo
Ao trazer até nós  a premência, a urgência,
que nos impele ao outro…

Diz-se o silêncio,
Ele  é de ouro ou de prata,
Porque nos eleva,
Mesmo quando a saudade mata,
Sobe em nós a temperatura da consciência,
Ao  penarmos  pela  ausência,
Mas sabemos  que há uma memória  que cura
e uma  esperança que colmata…

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Beatriz Barroso – “De mansinho”

14.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Cheguei até ti de mansinho,
Como quem timidamente
Encontra a outra margem do seu rio,
Após uma longa caminhada.
Porque vi a tua mão estendida,
Uns olhos que me afagaram,
Que me fizeram sentir a vida,
Que vazia de sentido,
Já quase por si não dava.

De mansinho,
Abri as janelas de minha emoção,
Para me sentir mais viva,
Escancarei as portas do meu coração,
De forma não contida,
E, ganhei o mundo num instante,
Porque caminho agora,
Sempre de uma à outra margem
Em que me espraio,
No tempo e no espaço
Apenas porque já vou contigo…

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Beatriz Barroso – “Invento-me”

14.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Invento-me neste desejo de te abraçar…

Invento-me hera, planta trepadeira,
agarro minhas gavinhas,
minhas expansões, com força,
em tuas estacas, para me poder à terra fixar…

Invento-me abelha, insecto,
Apenas para invadir a tua flor,
Que nasceu de meu desejo,
Para em teu mel, esse néctar,
a minha sede eu poder saciar ….

Invento-me leoa perdida de seu cio,
À procura de um trilho, um sinal, rasto teu,
Para que na floresta da vida,
Eu te possa encontrar…

Invento-me vento, Nortada, brisa, aragem,
Para de forma empolgada,
Agitar teu rio, ondular teu mar…

Invento-me, nestas todas metamorfoses
de ser eu própria, que trago silenciadas no meu espírito,
E ensaio-me assim, neste ser,
Nestas mil formas adoptadas,
Só porque te encontro ao inventar-me,
Mas porque te invento somente a ti!

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Beatriz Barroso – “Eu vi”

10.01.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

Eu vi o Mundo,
Que de muito contraste é feito…
 
Nos olhos de uma criança,
Nas asas de uma borboleta,
Numa praia deserta,
Numa cidade iluminada,
Numa boca amordaçada,
Num rosto com mágoa,
Nas linhas de um jornal diário,
Numa mensagem de correio,
Numa paragem do metro,
Num semáforo,
Numa esquina,
Num beco sem saída,
Algures no tempo e num lugar,
Eu vi o Mundo, eu vi .
De tanta coisa que eu já vi,
Uma lição eu aprendi,
Nada no Mundo é perfeito,
Mas valerá a pena, por certo,
Estar vivo e sentir-me um ser eleito,
Por viver com convicção,
Por sentir que a  fé e a alegria
Não morrem no meu coração,
Por  fazer alguém feliz,
Por ter uma família amiga,
Por ter saúde e lutar,
Por uma  vida honesta e  sadia,
Por uma noite bem dormida,
Ou simplesmente,
Por poder hoje  espreitar a lua,
Da janela de meu quarto,
Numa noite de luar…
Basta-me  apenas por isso,
Abrir os olhos e  as portas  da alma,
Deixar o sentido da  vida,
Entrar por meus poros, bem desperto,
Saber-me num macrocosmos incompleto,
Mas saber e ter  a certeza,
Que bem dentro do pequeno mundo que eu sou,
Vive a imagem de  um Mundo melhor,
E que não  quero este  sonho jamais desfeito!

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