Category Archives: Alberto Caeiro

Alberto Caeiro da Silva (Lisboa, 16 de Abril de 1889 ou Agosto de 1887 – Junho de 1915) foi uma personagem ficcional (heterónimo) criada por Fernando Pessoa, sendo considerado o Mestre Ingénuo dos restantes heterónimos (Álvaro de Campos e Ricardo Reis) e do seu próprio autor, apesar da apenas ter tido instrução primária.

Alberto Caeiro – “O Guardador de Rebanhos/V”

Há metafísica bastante em não pensar em nada. O que penso eu do mundo? Sei lá o que penso do mundo! Se eu adoecesse pensaria nisso. Que ideia tenho eu das coisas? Que opinião tenho sobre as causas e os … Continue reading

Posted in Alberto Caeiro | Tagged , , , , , | Comments Off

Alberto Caeiro – “O piano”

Aquela senhora tem um piano Que é agradável mas não é o correr dos rios Nem o murmúrio que as árvores fazem… Para que é preciso ter um piano? O melhor é ter ouvidos E amar a Natureza. (Do “Guardador … Continue reading

Posted in Alberto Caeiro | Tagged , , , , | Comments Off

Alberto Caeiro – “O guardador de rebanhos” (Sem música)

Eu nunca guardei rebanhos, Mas é como se os guardasse. Minha alma é como um pastor, Conhece o vento e o sol E anda pela mão das Estações A seguir e a olhar. Toda a paz da Natureza sem gente … Continue reading

Posted in Alberto Caeiro | Comments Off

Alberto Caeiro – “Meto-me para dentro” (sem música)

Meto-me para dentro, e fecho a janela. Trazem o candeeiro e dão as boas noites, E a minha voz contente dá as boas-noites. Oxalá a minha vida seja sempre isto: O dia cheio de sol, ou suave de chuva, Ou … Continue reading

Posted in Alberto Caeiro | Tagged , , , , , | Comments Off

Alberto Caeiro – “Da mais alta janela…”

Da mais alta janela da minha casa Com um lenço branco digo adeus 
 Aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste. 
 Esse é o destino dos versos. 
 Escrevi-os e devo mostrá-los … Continue reading

Posted in Alberto Caeiro | Tagged , , , , | Comments Off

Alberto Caeiro – “A espantosa…”

A espantosa realidade das coisas É a minha descoberta de todos os dias. Cada coisa é o que é, E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra, E quanto isso me basta. Basta existir para se ser completo. … Continue reading

Posted in Alberto Caeiro | Tagged , , , , , , , , | Comments Off

Alberto Caeiro – “Bolas de sabão”

As bolas de sabão que esta criança Se entretém a largar de uma palhinha São translucidamente uma filosofia toda. Claras, inúteis e passageiras como a Natureza, Amigas dos olhos como as coisas, São aquilo que são Com uma precisão redondinha … Continue reading

Posted in Alberto Caeiro | Tagged , | Comments Off

Alberto Caeiro – “Menino Jesus”

Num meio-dia de fim de Primavera Tive um sonho como uma fotografia. Vi Jesus Cristo descer à terra. Veio pela encosta de um monte Tornado outra vez menino, A correr e a rolar-se pela erva E a arrancar flores para … Continue reading

Posted in Alberto Caeiro | Tagged , , , , | Comments Off

Alberto Caeiro – “Quando vier a Primavera”

Quando vier a Primavera, Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. A realidade não precisa de mim. Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a … Continue reading

Posted in Alberto Caeiro | Tagged , , , | Comments Off

Alberto Caeiro – “Assim como falham as palavras”

Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento, Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade. Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada, Assim a mesma dita realidade existe, não o ser … Continue reading

Posted in Alberto Caeiro | Tagged , , | Comments Off

Alberto Caeiro – “Guardador de rebanhos”

Eu nunca guardei rebanhos, Mas é como se os guardasse. Minha alma é como um pastor, Conhece o vento e o sol E anda pela mão das Estações A seguir e a olhar. Toda a paz da Natureza sem gente … Continue reading

Posted in Alberto Caeiro | Tagged , , , , | Comments Off

Alberto Caeiro – “É noite”

É noite. A noite é muito escura. Numa casa a uma grande distância Brilha a luz duma janela. Vejo-a, e sinto-me humano dos pés à cabeça. É curioso que toda a vida do indivíduo que ali mora, e que não … Continue reading

Posted in Alberto Caeiro | Tagged , , , | Comments Off