Nota biográfica

Trovador português, possivelmente natural de S. Cosme de Besteiros, próximo de Paredes, em terras do Sousa. Embora o nome Besteiros tenha outras ocorrências na toponímia portuguesa (nomeadamente em Santa Maria de Besteiros, Tondela, Viseu) a ligação à linhagem dos Riba de Vizela, que Resende de Oliveira sugere, poderá i n d i c a r como mais provável a primeira localização. Já idoso, numa sua cantiga contra um dos alcaides "traidores", o mostra já plenamente ativo na altura da guerra civil portuguesa (1245-47). Parece certo que tenha frequentado a corte castelhana,como se depreende da sátira (aqui gravada) contra um cavaleiro em fuga dos campos de batalha da Andaluzia.

Afonso Mendes de Besteiros – “Dom Fulano”

09.03.2016 | Produção e voz: Luís Gaspar

besteiros

Português Moderno

Dom Fulano que eu sei
que tem fama de ágil,
vedes que fez na guerra
(disto sou certíssimo):
só de ver os ginetes,
como boi que fere moscardo,
sacudiu-se e revolveu-se,
alçou rabo e foi-se
a Portugal.

Dom Fulano que eu sei
que tem fama de ligeiro,
vedes que fez na guerra
(disto sou verdadeiro)
só de ver os ginetes,
como bezerro tenreiro,
sacudiu-se revolveu-se,
alçou rabo e rumou
a Portugal.

Dom Fulano que eu sei
que tem mérito de ligeireza
vedes que fez na guerra
(sabei-o por verdade):
só de ver os ginetes,
como cão que sai de prisão,
sacudiu-se revolveu-se,
alçou rabo e foi-se
a Portugal.

Português Antigo

Don foão que eu sey
que á preço de liuão,
vedes que fez ena guerra
(d’aquesto sõo certão):
sol que uyu os genetes,
come boy que fer tauão,
sacudiu-ss’e e reuolueu-sse,
alçou rab’e foy sa vya
a Portugal.

Don foão que eu sey,
que á preço de ligeyro,
vedes que fez ena guerra
(d’aquesto sõo uerdadeyro)
sol que uyu os genetes,
come bezerro tenrreyro,
sacudiu-ss’e reuolueu-sse,
alçou rab’e foy sa vya
a Portugal.

Don foão que eu sey
que á prez de liueldade
vedes que fez ena guerra
(sabede-o por uerdade):
sol que uyu os genetes,
come can que sal de grade,
sacudiu-ss’e reuolueu-sse,
alçou rab’e foy síi vya
a Portugal.

(Adaptação ao português atual por Deana Barroqueiro.
Este poema faz parte do iBook “Coletânea de Poesia Portuguesa – I vol. Poesia Medieval”
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)

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