Nota biográfica >>

Neste espaço ouvem-se poetas que apesar da qualidade do seu trabalho, por motivos diversos, acabaram por ser esquecidos ou pouco lembrados.

João Penha – “A Carne”

21.05.2012

João Penha (1838-1919) 
Poeta português, natural de Braga, também jurista e magistrado. Introduziu o parnasianismo em Portugal.

A CARNE
[A Cândido de Figueiredo]

Carne mimosa, carne cor de rosa
Nada mais sois, oh anjos, na poesia
Dos vates dissolutos de hoje em dia,
Nos romances de amor, hedionda prosa.

A vossa alma gentil, ideal, mimosa,
Nestas idades de descrença ímpia,
Como escondida, numa estátua fria
Sonha e não voa, de voar medrosa!

Anjos chorai o Amor! Com voz dolente
Dizei-lhe adeus! Bronco recife
Se apruma entre ele e vós, cruel, ingente:

Que par mais que de vinhos o borrife,
Ninguém gosta de ver, continuadamente,
Diante de si, fatal, o mesmo bife!

in “Novas Rimas”

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