Nota biográfica >>

Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas (Póvoa de Atalaia, 19 de Janeiro de 1923 — Porto, 13 de Junho de 2005). Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com «essa debilidade do coração que é a amizade».

José Fernandes Fafe – “A Eugénio de Andrade…”

08.12.2015

mario_botas

A Eugénio de Andrade, agradecendo “Até Amanhã”

Lembras-te da primeira vigília que fizeste,
à espera, trémulo, da madrugada nova?

Deu o meio-dia, tilintava o oiro, e
anoiteceu-nos como se a nossa amada
fosse a descer à cova.

Depois, tu esperaste sempre a
madrugada, mas sempre a noite paria
nados-mortos, sempre a esperança
espancada cada dia: frágil, de luz e de
cristal, a tua fé embaciou-se de
melancolia…

Mas tu esperas ainda – porque os
teus versos ainda são os do rapaz
maravilhado pela afogueada cor
duma romã.
E vem dele a saúde a quem se cruza
contigo, no branco litoral: «Até
amanhã».

Poema de José Fernandes Fafe, ilustração de Mário Botas, ambos retirados do livro “Aproximações a Eugénio de Andrade”, editado pela ASA com o patrocínio a BIAL, coordenação de José da Cruz Santos e Direção gráfica de Armando Alves.

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