José Saramago – “Declaração”

08.07.2018

Não, não há morte.
Nem esta pedra é morta,
Nem morto está o fruto que tombou: 

Dá-lhes vida o abraço dos meus dedos, 

Respiram na cadência do meu sangue,

Do bafo que os tocou.

Também um dia, quando esta mão secar, 

Na memória doutra mão perdurará, 

Como a boca guardará caladamente 

O sabor das bocas que beijou.

In Os Poemas Possíveis, 1966, p. 140.

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