História 171 – “A Raposa sem rabo”

07.06.2012 | Produção e voz: Luís Gaspar

História 171 – A Raposa sem rabo

A prima Raposa andava à caça. Era noite fechada e nenhum de nós veria um palmo adiante do nariz. Mas a prima Raposa sabia ver de noite e, por isso aproveitava essa hora para fazer as suas caçadas; de dia cuidava dos arranjos caseiros, do asseio da sua linda pele e sobretudo do seu lindo rabo. Tinha o maior orgulho nele, e, na verdade, a prima Raposa passava por ter uma das caudas mais bonitas da família e da vizinhança.
A caminho da capoeira próxima, a prima Raposa atravessou um quintal e outro e outro, e sem saber como, foi cair numa ratoeira de que ela nunca suspeitara e ficou presa pelo rabo.
— Isto só a mim me aconteceria! — começou ela a lamentar-se —. Mais me valia não ter rabo! Se aqui me deixo ficar é morte certa…
Mas, por mais que fizesse, nem o rabo se desprendia da ratoeira, nem esta vinha atrás do rabo. Porém, tanto puxou, na ânsia de se ver livre, que o ferro da ratoeira cortou-lhe o rabo e ela pôde fugir, sim, mas sem rabo: teve de lá deixá-lo.
Chegou a casa tristíssima, por se ver privada da coisa mais bela que possuía no seu corpo e ao ver as primas e os primos todos com o seu formoso complemento, ficou ainda mais triste e começou a sentir inveja. Todos tinham cauda — uma cauda tão linda! — menos ela! E além
disso passou a ser objecto de admiração: nunca tinham visto uma raposa sem rabo!
Mas então que foi isso?! — perguntavam eles —. Como foi que ficou sem cauda, prima?
Como foi que fiquei sem cauda, não! Porque é que a tirei! — emendou ela, resolvendo mentir, para não contar o que lhe acontecera.
Tirou-a?! — perguntaram todos espantados.
É a última moda — explicou ela —. É o que se usa agora entre as raposas distintas, da melhor sociedade. E vocês devem fazer o mesmo. Isso de rabo é uma moda antiga, que já só se vê entre os velhos…
Os primos e as primas mais jovens, zelosos da sua elegância, começaram a mirar-se com desgosto, convencidos de que a prima Raposa tinha razão. Mas uma parenta velha, que sabia perfeitamente como as coisas se tinham passado, falou no meio de todos à raposa der-rabada:
— Minha querida amiga, acredito na sua moda e nas conveniências dela, mas digo-lhe já que nós não cortaremos os nossos rabos. Se um dia nos encontrarmos na mesma situação em que a priminha se viu, então deitaremos fora o rabo, mas antes disso, não! Que os infelizes
como você queiram que os outros os acompanhem, compreende-se, mas que os outros se disponham a seguir a mesma sorte de um infeliz, é que não! Quando o mal por cá tocar, veremos… Fique lá sem o seu rabo, que nós tomaremos conta dos nossos, de forma a que continuem
bem inteirinhos…
É claro que a prima Raposa teve de calar-se e nunca mais quis convencer a família e os amigos de que o ideal era as raposas não usarem rabo.
E aqui termina a história da raposa que ficou sem rabo

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Poesia 49 – Luísa Demétrio Raposo

10.09.2010 | Produção e voz: Luís Gaspar

“O erotismo, 
por vezes por capricho humano, 
é usado com certeza ornamental…
Mas…
Como de todas as certezas nasce o engano, só a incerteza é puramente natural! 
O erotismo dentro, em nós invoca…
Na sua vastíssima boca,
uma expressão única e sexualmente louca…! “
Palavras de Luísa Demétrio Raposo, a autora cuja poesia vamos ouvir neste programa.

Se deseja ler o programa enquanto o ouve, clique AQUI

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História 141 – “A Pastora e o Limpa-chaminés”

06.09.2010 | Produção e voz: Luís Gaspar

Mais um ano de escola e o Estúdio Raposa retoma a publicação das histórias. Para começar e contra o que é habitual não vamos ouvir uma história tradicional portuguesa. Vou contar-vos, assim como se fosse um presente pelo início das aulas, um conto do famoso escritor Hans Christian Anderson. Intitula-se “A Pastora e o Limpa-chaminés”

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Palavras 150 – Egito Gonçalves

29.04.2010 | Produção e voz: Luís Gaspar

Vamos ouvir, neste programa, poesia de Egito Gonçalves, assim como uma pequena nota biográfica.
 José Egito de Oliveira Gonçalves nasceu em Matosinhos no dia 8 de Abril de 1920, foi poeta, editor e tradutor e faleceu com 81 anos, no Porto.
Se desejar ler o texto do programa enquanto o ouve, clique AQUI:

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Poesia 48 – Natália Bonnaud Nunes

07.04.2010 | Produção e voz: Luís Gaspar

Neste programa, poesia de Natália Bonnaud Nunes.
Mais uma autora que chega ao Estúdio Raposa através do Facebook.
“Foi através da nossa “amizade” no Facebook que conheci o vosso trabalho, que me interessou bastante.” – diz Natália Bonnaud Nunes
.
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Palavras 149 – Raul de Carvalho

01.04.2010 | Produção e voz: Luís Gaspar

Neste programa mais um grande poeta, quase esquecido: Raul de Carvalho

Raul Maria de Carvalho nasceu em Alvito, Baixo Alentejo, a 4 de Setembro de 1920. As memórias da infância passadas nesse local manifestam-se em todos os seus livros de cunho autobiográfico. Chegou a Lisboa na década de 40 e tornou-se frequentador do café Martinho da Arcada, contactando com personalidades do meio literário.
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Mário João Ramos e a suspenção do “Lugar aos Outros”

08.11.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Mário João Ramos escreveu:
Amigo Luís,
 claro que o mundo não acaba hoje e os Lugares estarão sempre à espera de vidas novas… novas palavras… novas poesias… novas vozes… novas luzes…
esse lugar foi iluminado pelo teu trabalho… pela tua dedicação…
estou certo que continuará a ser um céu repleto de estrelas brilhando a uma só voz…
a minha homenagem pelo que fazes e fizeste na divulgação desses lugares perdidos
escondidos, esquecidos… nas gavetas mais ou menos secretas… que se foram desinibindo…
e como “palavra puxa palavra”…assim se foi construindo essa mágica áudio-antologia de autores mais ou menos anónimos… 
assim nos fomos aproximando e fazendo amigos que apesar de geograficamente distantes, nos são tão internos…
sinto-te um Amigo que me habitará aceso na memória… enquanto a chama não me extinguir…
“somos matéria para combustão e sofrimento” (escrevi)…
enquanto não acabamos de arder, vamos também alimentando outras combustões… que, felizmente, reflectem a magia do riso; da felicidade; da amizade e do amor que incondicionalmente nos fecunda…
 aproveito para te deixar um momento em que… o poeta, às vezes, acontece…

***
 
 ser poeta… às vezes
quando acontece.
estar nessa latitude ocasional
e respirar do animal que somos
a alma que nos convém…
 
ser poeta… agora!…
enquanto a palavra sustém o verso…
no entretanto… o mito que demora
o universo acontecer…
 
ser poeta …
é coisa que não sei dizer ainda
ainda que… outra qualquer coisa possa ser
 
ser poeta… quando quiser …
às vezes, morrer de novo
nesse  lugar de paz e violência
 
ser poeta…   montanha
onde apura a  razão e a demência …  
ser poeta, enfim… consciência de mim
ou da coragem que nos conduz à morte
 
ser poeta numa qualquer noite
onde a sorte crie estrelas
ser poeta…
abraçado a elas… com ternura
 
ser poeta ou poesia
a mão que me segura
ser por toda a lonjura o grito…
da liberdade e do amor que tenho escrito
 
ser poeta é o que define a cor
dessa paisagem
ser poeta no regresso da viagem
 
ou na partida…
para toda a vida!
****
 obrigado pela tua presença neste Lugar de ausências
 Mário João, 07 de Novembro de 2009

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Otília Martel (MM) e a suspenção do “Lugar aos Outros”

08.11.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Sou desde a primeira hora, uma das muitas admiradoras do “Lugar aos Outros” do Estúdio Raposa assim como tive o privilégio de ver alguma da minha poesia lida e divulgada em mais de um programa o que muito me honrou.
Muitos dos autores que agora publicam as suas palavras, tiveram um incentivo precioso para continuarem a escrever, após o Estúdio Raposa ter lido os seus trabalhos.
Cada vez mais a poesia é valorizada. Cada vez mais se fala dela e até nos discursos de alguns políticos ela é sentida.
É com pesar, portanto, que vejo este Programa suspenso, mesmo que temporariamente.
Em meu nome e, em nome do blogue Poesia Portuguesa, de onde saíram igualmente muitos dos nomes lidos no “Lugar aos Outros”, agradeço toda a disponibilidade para com a poesia e os poetas lidos ao longo destes anos esperando, muito sinceramente, que o “temporariamente” não seja definitivo.
Um Abraço
Menina Marota (Otília Martel)
http://meninamarota.blogspot.com/
http://portuguesapoesia.blogspot.com/

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História 110 – Tu ou eu?

03.11.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Vamos ouvir mais uma história tradicional portuguesa intitulada “Tu ou Eu?” Fui buacá-la ao livro “Contos tradicionais do Algarve” de Xavier Ataíde de Oliveira
Se quiseres ler a história ao mesmo tempo que a ouves, clica AQUI

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História 109 – “O Senhor da Ribeira de Frielas”

24.10.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Vamos hoje ouvir uma lenda. Sei que vocês gostam de lendas. Esta chama-se “O Senhor da Ribeira de Frielas” e está à nossa disposição na obra de Fernanda Frazão, “Lendas Portuguesas”.
Se quiseres ler a história enquanto a ouves, clica AQUI.

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Nona HORA

17.10.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Com um pouco mais de uma hora, a Nona HORA, inclui os seguintes poetas:
Armando Silva Carvalho (1 poema), Casimiro de Brito (2 poemas), Fiama Hasse Pais Brandão (5 poemas), Graça Pires (5 poemas), Herberto Helder (1 poema), Maria do Rosário Pedreira (5 poemas), Marquesa de Alorna (3 poemas) e Reinaldo Ferreira (5 poemas).

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História 107 – “O Aleive”

30.09.2009 | Produção e voz: Luís Gaspar

Vamos ouvir uma história recolhida por Ataíde de Oliveira do seu livro “Contos tradicionais do Algarve, editado pela Vega. Esta história chama-se “O aleive”. Aleive é o mesmo que calúnia ou traição. É uma história com muitos mortos e até vamos conhecer um fantasma. Vamos lá ouvir esta grande desgraça.
Se queres ler a história ao mesmo tempo que a ouves, clica AQUI.

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Romance da Raposa – Episódio X

09.12.2005 | Produção e voz: Luís Gaspar

Será que a raposa Salta Pocinhas morreu? As suas comadres raposas estao preocupadas com a sua ausência e vão fazer-lhe uma visita.
Esta a continuação da história da raposa escrita por Aquilino Ribeiro e adaptada a audio book a partir da edição ilustrada da Bertrand.
Vozes e produção de Luís Gaspar.

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Romance da Raposa – Episódio IX

03.12.2005 | Produção e voz: Luís Gaspar

Vamos, neste episódio do Romance da Raposa de Aquilino Ribeiro, editado pela Bertrand, ficar a saber que, pelos cálculos de Mestre Vicente, o corvo, a Salta Pocinhas deve ter, agora, mais de 10 anos e esta trôpega e caduca.
Apesar disso…
Vozes e produção de Luís Gaspar.

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Romance da Raposa – Episódio VII

24.11.2005 | Produção e voz: Luís Gaspar

A raposa Salta Pocinhas casou, tem 3 filhotes e acaba de enviuvar por morte do raposão, seu esposo, que foi apanhado numa ratoeira traiçoeira.
Com mais responsabilidades na vida a Salta Pocinhas tem de usar de grandes manhas para sustentar a família.
Acompanhe as suas tropelias em mais um episódio do Romance da Raposa de Aquilino Ribeiro. Edição Bertrand.
Vozes de Luís Gaspar

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Romance da Raposa – Episódio V

11.11.2005 | Produção e voz: Luís Gaspar

E aí estão mais aventuras da raposa Salta Pocinhas, a personagem principal do Romance da Raposa de Aquilino Ribeiro numa adaptação sonora a partir da edição ilustrada da Bertrand.
Uma oportunidade para os mais jovens contactarem com o português cristalino de Aquilino Ribeiro.
Vozes de Luís Gaspar

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Romance da Raposa – Episódio IV

04.11.2005 | Produção e voz: Luís Gaspar

Adaptação sonora do famoso romance de Aquilino Ribeiro sobre a edição ilustrada da Bertrand.
A Salta-Pocinhas e as suas aventuras na tentativa de fazer com que os jovens portugueses amem a sua língua.
Vozes de Luís Gaspar

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Romance da Raposa – Episódio III

28.10.2005 | Produção e voz: Luís Gaspar

Terceiro episódio do Romance da Raposa de Aquilino Ribeiro.
Obra transmitida com o objectivo de interessar os jovens, e os outros, pelo português mais cristalino.
Esta adaptação e feita a partir da edição ilustrada da Bertrand.

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Romance da Raposa – Episódio II

21.10.2005 | Produção e voz: Luís Gaspar

Segundo episódio da obra de Aquilino Ribeiro, o “Romance da Raposa”. Adaptação sonora da edição da Bertrand. Trabalho destinado a interessar os jovens pela nossa língua.

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Romance da Raposa – Episódio I

08.10.2005 | Produção e voz: Luís Gaspar

Romance da Raposa, uma obra de Aquilino Ribeiro dedicada ao seu filho Aníbal e que será apresentada pelo Estúdio Raposa em 12 episódios (um por semana).
Trata-se de uma experiência de sonorizaçãoo de obras literárias para os mais pequenos e nao tem quaisquer interesses financeiros envolvidos.
Desejar-se-ia, apenas, que os jovens ouvintes se viessem a interessar pela obra deste autor e de outros que se seguirão.
Este trabalho foi realizado a partir da edição da Bertrand com ilustrações de Benjamin Rabier.
Antes de proferir a sentença de xixi-cama deixe a sua filha ou filho ouvir a historia da Salta-Pocinhas, a raposa matreira, embusteira, ratoneira, pintalgueta e senhora de muita treta.

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