Nota biográfica >>

Sebastião Penedo (Alvito,1945 - Lisboa, 2002). Nasceu em Alvito e estudou nos seminários de Beja e dos Olivais. A guerra colonial levou-o, de onde regressou com problemas. Funcionário público num lugar modestíssimo. Vivia em quartos, gastando o pouco dinheiro em edições de autor. O seu corpo deu à margem do Tejo.

Sebastião Penedo – “A noite alentejana”

30.11.2012

A planície já pôs sua roupagem

nocturna. Agora dorme, sem sentir, 

um sono entre acordada e a dormir.

À noite, o Alentejo é a paisagem




dum brando sonho: a lua mira os olho
ao espelho nos pegos das ribeiras.

Há malteses deitados pelas eiras,

além, uma queimada nos restolhos.




Ouvem-se as rãs nos poços coaxar.

Um cão vigia os gados ao relento

e o pastor dorme à porta da cabana.




Cheio de vultos, grilos e luar

e de rumores e de encantamento,

oh, como é grande a noite alentejana!

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