“Pan Gu e a Origem do Homem”

No céu, o deus que reinava sobre a terra, o Rei Gao Xin, tinha um belo cão sarapintado a quem chamava de Pan Gu. O Rei Gao Xin e o seu irmão, o Rei Fang, eram inimigos mortais. Gao Xin prometeu um dia a mão da sua filha a quem lhe trouxesse a cabeça do seu irmão, mas ninguém aceitou o desafio receando o poderoso exército do Rei Fang. Mas Pan Gu, o cão, não se amedrontou e correu em busca do Rei Fang. Este, quando o viu, deu uma gargalhada e disse: «Vejam. Gao Xin está tão próximo do seu fim que até o cão o abandonou.» Certo da vitória, ofereceu nessa noite um gigantesco banquete, sentando-se o cão, convidado de honra, a seu lado. Porém, à meia-noite, quando tudo estava silencioso e Fang dormia embriagado, Pan Gu saltou para a cama do Rei, arrancou-lhe a cabeça e correu de volta para Gao Xin.
O Rei ficou feliz por saber do feito heróico do seu cão e ofereceu um banquete em sua honra. Ordenou que lhe fosse servida carne fresca, mas Pan Gu recusou-se a comer. «Porque não comes tu?», perguntou o Rei: «Será por não oferecer a mão da minha filha a um cão?» Para sua surpresa, Pan Gu falou e disse que bastaria que Gao Xin o cobrisse com o seu sino dourado durante sete dias e sete noites para que se fizesse homem. O Rei assim fez. Porém, pensando que, ao sexto dia, Pan Gu estaria a morrer de fome, a princesa levantou ansiosamente o sino dourado. Uma vez levantado o sino, a magia parou. O corpo de Pan Gu era já o de um homem mas a sua cabeça pertencia ainda ao cão.
Pan Gu casou com a princesa, mas envergonhados de serem assim vistos pelos deuses, vieram morar na terra. Instalaram-se nas montanhas do Sul da China e tiveram três filhos e uma filha que vieram dar início à humanidade.

Trad.: Manuel João Magalhães

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