Nota biográfica >>

Os textos apresentados nesta página foram publicados e copiados do livro "Rosa do Mundo - 2001 poemas para o futuro" editado pela Assírio & Alvim com direcção editorial de Manuel Hermínio Monteiro. A música que serve de fundo a estes textos é de autoria de Luís Pedro Fonseca e amavelmente cedida ao Estúdio Raposa.

A Visita ao Céu

14.05.2012

Canadá – Povo Klallan

Nos primeiros tempos, não havia na terra senão uma única mulher, que vivia completamente só. Fez um marido a partir de um bloco de resina; mas, como nessa altura o sol era muito mais quente que actualmente, o homem acabou por fundir-se.
Por isso, os seus filhos odiavam o sol; um deles atirou uma flecha que se cravou no céu, e depois atirou um grande número de flechas que se encravavam umas nas outras, e com as quais construiu uma grande escada, que ele e os seus irmãos subiram até chegarem ao mundo celeste, o qual tinha o aspecto de uma grande pradaria.
Alguns gansos, que nessa altura ainda falavam, indicaram-lhes o caminho da morada do sol. Encontraram depois duas mulheres cegas. Um dos jovens roubou-lhes comida quando uma delas a estendia à outra. Perguntaram-lhes pela morada do sol; elas indicaram-lhes o caminho a seguir e deram-lhes um pequeno cesto contendo seis bagas silvestres.
Os irmãos chegaram à morada do sol, que era um velho que amontoava madeira resinosa num enorme braseiro – tão ardente que os jovens julgaram morrer, e de onde emanava o calor intenso que reinava então na terra.
Deram ao sol as seis bagas, que as comeu; estas multiplicaram-se no seu corpo de tal modo que o velho morreu. A violência do fogo começou a diminuir e, desde então, já não há tanto calor na terra.

Trad.: Manuel João Ramos

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