Nota biográfica >>

Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas (Póvoa de Atalaia, 19 de Janeiro de 1923 — Porto, 13 de Junho de 2005). Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com «essa debilidade do coração que é a amizade».

Bruno Tolentino – “Uma voz da terra e do ar”

12.11.2015

eugenio

a Eugénio de Andrade

O rosto entreaberto
pela madrugada, o
rebanho, a alada
fulguração.

O lábio tão perto do
silêncio; o calmo
balanço do tálamo; e a
canção.

Domínio obscuro
como o berço, como o
primeiro pomo, como
o alto mar.

A mão quer o duro
caroço; a semente quer
o corpo ausente; quero
louvar
o gesto perfeito na
página branca, o
duende, a dança no
precipício,

o cardo no peito, a voz
no princípio: a leve, a
difícil colheita no ar.

Londres, 1973
Poema recolhido do livro “Aproximações a Eugénio de Andrade”, editado pela ASA com o patrocínio a BIAL. Coordenação de José da Cruz Santos e Direção gráfica de Armando Alves. a ilustração deste poema é de Laureano Ribatua.

facebooktwittermailby feather
70607060