José Oliveira sobre o “Lugar aos Outros 104”

13.05.2009

Caro Luís Gaspar

Depois do conselho sensato do meu travesseiro aqui estou para me pronunciar e “dizer da minha justiça”, como me pediu, acerca da edição do lugar 104, com a inclusão de quatro poemas meus no seu adioblogue.
Quero começar por agradecer publicamente a sua iniciativa e a gentileza de me destinar um lugar, no lugar 104, do “Lugar aos Outros”.
Enquanto escrevo continuo a escutá-lo e a escutar-me a mim na limpeza e gravidade da sua voz, na sua capacidade de tornar audível o vísivel.
Enquanto o escuto penso em mim e no quando eu era muito pequenino e queria ouvir histórias… Porque ainda não sabia ler, encantavam-me as vozes graves do meu avô, do meu pai…
Penso também na felicidade que tenho ao ouvi-lo, na felicidade que tenho de poder ler e escutar ao mesmo tempo… de ter olhos veem e ouvidos que ouvem.
Mas há pessoas a quem isso não acontece e por isso… por muito mais do que lhe dizer que estou embevecido com a audição do meu nome e da minha poesia no seu Lugar aos Outros…
Muito mais do que falar da minha vaidade e no meu orgulho contido de o ouvir dizer poemas com dedicatória anónima que as páginas da minha vida conhecem…
Tenho de dizer de minha justiça:
Aquilo que o Estúdio Raposa dá ao mundo através das “palavras de ouro”, “da poesia erótica”, das “histórias” e contos tradicionais é o verdadeiro LUGAR AOS OUTROS, porque de uma forma gratuita, empenhada e muito profissional nos é dado a conhecer, tantas vezes, pela primeira vez o registo audível da literatura portuguesa… e isso meu caro Luís, isso é dar “novos mundos ao mundo” para citar o poeta.
A sua iniciativa enche os ouvidos de quem não lê e aquece-lhes o coração, porque esse é o propósito da literatura.
Bem hajas
Com um abraço,
José Miguel de Oliveira

Facebooktwittermailby feather
884884